terça-feira, 29 de maio de 2007

Para onde vai a esquerda?


Em seu blog, hospedado no site agenciacartamaior, Emir Sader faz uma reflexão sobre o avanço da direita sobre a esquerda mundial. Ele discute algumas razões, nas quais eu concordo, de que na Europa, esse avanço se deveu a uma mudança do pleno emprego de quase trinta anos para o desemprego, situado em alguns países em dois dígitos; somando-se a isso, a entrada maciça de mão-de-obra estrangeira (de fora da Europa), a disputar os postos de trabalho que restaram.

Emir diz que, também, a influência do eixo Washington-Londres sobre o continente, favoreceram essa guinada à direita. Mas o que me chamou a atenção no artigo do Emir, e que se pode fazer um paralelo ao que está se colocando em curso no Brasil, foi dito no último parágrafo que aqui transcrevo:

“A desconexão entre as mobilizações sociais e suas expressões políticas termina contribuindo para que a direita possa se impor com mais facilidade diante de uma esquerda tradicional excessivamente moderada e distante dos novos movimentos sociais e de uma extrema esquerda envelhecida e fragmentada”.

Isso se pode ver nitidamente no Brasil. A ida de Lula, um sindicalista, ao poder, levando junto de si o PT, de certa forma desarticulou o que tínhamos de mais sólido. A esquerda e os movimentos sociais. Enquanto estavam fora do poder, os movimentos sociais tinham quem por eles lutasse, mas depois...

Além disso, não estão surgindo novas lideranças de esquerda. E, a direita, os conservadores e neoliberais, aliados à elite rural e industrial, mais a mídia. Estão, com um forte discurso de promover melhores condições de vida através da globalização e do desenvolvimentismo econômico, rompendo esse elo.

O discurso da esquerda está obsoleto e longe de cativar a população. E a população, está cada vez mais ávida pelo consumo de bens que antes não tinha acesso. Com isso, as questões sociais ficam para trás. Nossas lideranças de esquerda foram amordaçadas por sucessivas denúncias de escândalos e atitudes governamentais com influência de aliados de direita, acomodados no governo.

Dessa maneira, fica difícil rearticular essa ligação, entre a esquerda e os movimentos sociais. A esquerda tem de saber que, em última análise, são esses movimentos que devem ou deveriam dar sustentação à mudanças antes pretendidas. Não se pode jogar a toalha, pois as desigualdades, se acentuam cada vez mais. Assim, um outro mundo será possível?

2 comentários:

César disse...

Gostei do post.

Mario Rangel disse...

Valeu Cesar! esse post é uma indagação e uma constatação, ao mesmo tempo. Atualmente não vejo saída para a esquerda, se esta não retornar às suas bases.