domingo, 21 de dezembro de 2008

Privatização do espaço público: quem ganha com isto?








É uma terra de ninguém, quer dizer, de "alguns"... Porto Alegre, parece, só serve para as negociatas e as falcatruas.
Hoje, domingo, fui pedalar na orla do Guaíba, quando me deparo com uma coisa muito triste, para não dizer pior. Não se preserva a pouca natureza presenta na cidade e, ainda, o que existe dela é usurpado para dar lucro.

Vajam só, um estacionamento sobre a grama do Parque da Harmonia.
Um cara cercou o gramado, com seus frequentadores, e começou a colocar os carroas alí, em meio as pessoas, na cara dura, a DEZ REAIS.

Fui perguntar ao administrador do "negócio", que estava estacionando os carros, e perguntei se podia estacionar no parque e ele me disse:

"... é por causa da árvore da RBS... e foi feita uma exceção".
Aí eu me pergunto?

Quem está se beneficiando do espaço que deveria ser ocupado pela população?

Quem fez esta "exceção"?

E assim vamos indo...










quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Justiça & justiça

Dia 9 de dezembro último, a Polícia Federal prendeu, no estado do Espírito Santo, o Juiz Frederico Guilherme Pimentel, e desbaratou, em Vitória, uma quadrilha que, segundo os investigadores, negociava decisões judiciais. Também foram presos os desembargadores Josenider Varejão Tavares e Elpídio José Duque. Na casa deste último, a PF apreendeu R$ 500 mil em dinheiro. O filho do presidente do Tribunal, Frederico Luís Schaider Pimentel, que é juiz do município de Cariacica (Grande Vitória), também foi preso. A cunhada dele, Bárbara Pignaton Sarcinelli, diretora de Registro do tribunal, e o advogado Paulo Duque também foram detidos sob a acusação de envolvimento no esquema. Leia a matéria completa aqui.

Este fato demonstra que, o poder e o dinheiro, estão intimamente infiltrados nos Tribunais de Justiça, influenciando nas decisões. Assim sendo, existe justiça e outra justiça. Que tem dinheiro e (ou) poder, tem a justiça a seu favor. Agora, quem nada tem, depende única e exclusivamente, da "boa vontade" de quem tem o martelo na mão.



Mas o que mais me indigna é que, isso ocorre em todos os níveis de poder constituídos. Mas na justiça é mais injusto (desculpe o trocadilho), Pois quem deveria sanar, através de decisões isentas, as injustiças, acaba por legitima-la. Basta ver casos como o de Daniel Dantas, no STF, de votações viciadas no Legislativo e assim por diante.



Salve-se quem puder...

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Adam Smith e Marx dialogam sobre o desmonte do capitalismo financeiro



Por Antoni Domènech, catedrático de Filosofia Moral na Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade de Barcelona e editor da revista SinPermiso, extraído de Carta Maior.

"O que aconteceu nos últimos 30 anos no mundo vai contra tudo o que tu e eu, como economistas e como filósofos morais, queríamos", diz Adam Smith a Karl Marx", num diálogo imaginado pelo professor Antoni Domènech, professor de Filosofia da Universidade de Barcelona. No diálogo, eles conversam sobre a situação do capitalismo, defendem a atividade econômica geradora de riqueza e criticam os parasitas rentistas que buscam o lucro a qualquer preço.

Karl Marx: Viste, velho, que esse menino, Joseph Stiglitz, anda dizendo por aí que o colapso de Wall Street equivale à queda do Muro de Berlim e do socialismo real?

Adam Smith: Não é para ficar contente, nem eu nem tu. E tu, menos ainda que eu, Carlos.

Karl Marx: Cara, por conta do suicídio do capitalismo financeiro, meu nome voltou a estar na moda; meus livros, segundo informa o The Guardian, se esgotam. Até os mais conservadores, como o ministro das finanças da Alemanha, reconhecem que em minha teoria econômica há algo que ainda vale à pena levar em conta...

Adam Smith: Não me venhas agora com vaidades acadêmicas mesquinhas post mortem, Carlinhos, já que em vida jamais te abandonaste a esse tipo de coisa. Eu falo num sentido mais fundamental, mais político. Nenhum dos dois pode estar contente e, te repito, tu menos ainda que eu.

Karl Marx: Sim, e aí?

Adam Smith: O “socialismo real” que se construiu em teu nome e não tinha nada a ver contigo. Pelo menos tu, sim, te identificaste como “socialista”. Eu, por outro lado, nem sequer jamais chamei a mim mesmo de “liberal”! Isso de “liberalismo” é uma coisa do século XIX (a palavra, como tu sabes, foi inventada pelos espanhóis em 1812), e vão e a atribuem a mim, um cara que morreu oportunamente em 1793. É ridículo!Como isso foi me acontecer?

Karl Marx: Já vejo por onde estás indo. Queres dizer que nem a queda do Muro de Berlim nem o colapso do capitalismo financeiro em 2008 têm muito a ver nem contigo nem comigo, mas que, ainda assim, nos jogam as responsabilidades?

Adam Smith: Exatamente. Mas em teu caso é pior, Carlos. Porque tu, sim, te disseste socialista. A mim pouco importa o “liberalismo”, qualquer liberalismo. Não há o que explicar a ti, precisamente um de meus discípulos mais inteligentes, que nem minha teoria econômica nem minha filosofia moral tinham nada a ver com o tipo de ciência econômica, positiva e normativa, que começou a impor-se nos teus últimos anos de vida, isso a que tu ainda chegaste a chamar “economia vulgar” e que tanto agradou aos liberais de tipo decimonônico.

Karl Marx: Claro, tu e eu ainda fomos clássicos. Depois veio essa caterva vulgar de neoclássicos, incapazes de distinguir qualquer coisa.

Adam Smith: Por exemplo, entre atividades produtivas e improdutivas, entre atividades que geram valor e riqueza tangível e atividades econômicas que se limitam a obter rendas não resultantes de trabalho (rendas derivadas da propriedade de bens imóveis, rendas derivadas dos patrimônios financeiros, rendas resultantes de operações em mercados não-livres, monopólicos ou oligopólicos). Nunca deixou de me impressionar a agudeza com que elaboraste criticamente algumas dessas minhas distinções, por exemplo, nas teorias da mais-valia.

Karl Marx: É evidente. Tu falaste repetidas vezes da necessidade imperiosa de intervir publicamente em favor da atividade econômica produtiva. Isso é o que para ti significava “mercado livre”; nada a ver com o imperativo de paralisia pública dos liberais e dos economistas vulgares, incapazes de distinguir entre atividade econômica geradora de riqueza e atividade parasitária visando ao lucro.

Adam Smith: Em meu mercado livre os lucros das empresas verdadeiramente competitivas e produtivas e os salários dos trabalhadores dessas empresas nem sequer teriam que ser tributados. Em troca, para manter um mercado livre no sentido em que defendo, os governos deveriam matar de impostos os lucros imobiliários, financeiros e todas as rendas monopólicas...

Karl Marx: Quer dizer, a tudo o que, depois de terem dado a mim por morto, e em teu nome, Adam, em teu nome!, se fez com que deixassem de pagar impostos nos últimos 25 anos. Haja saco!

Adam Smith: Haja saco, Carlos! Porque o que eu disse é que uma economia verdadeiramente livre, na medida em que estimulasse a riqueza tangível podia gerar - graças, entre outras coisas, a um tratamento fiscal agressivo do parasitismo rentista e da pseudo-riqueza intangível - amplos recursos públicos que poderiam ser destinados a serviços sociais, à promoção da arte e da ciência básica – que é, como a arte, incompatível com o lucro privado -, a estabelecer uma renda básica universal e incondicional de cidadania, como queria meu conterrâneo Tom Paine, etc. Vês, já, Carlos: eu, que não passei de um modesto republicano whig (1) de meu tempo, agora, se quatro preguiçosos, ainda que ignorantes, professorzinhos não me falseassem, e se lessem com conhecimento histórico de causa, até poderia passar por um perigosíssimo socialista dos teus. E te direi, e há de ficar entre nós, que, considerando o que temos visto, a tua companhia resulta bastante grata a mim...

Karl Marx: Na realidade, todo o teu conhecimento, como o de tantos republicanos atlânticos de tua geração, foi posto a serviço do princípio enunciado pelo grande florentino mal-afamado, a saber: que a liberdade republicana não pode florescer em nenhum povo que consinta com a aparição de magnatas e senhores [gentilhuomini], capazes de desafiar a república. E só assim se vê como a falsificação, em teu caso, é pior que no meu: o “socialismo real” abusou aberrantemente da palavra “socialismo”, dando cabimento ao regozijo de meus inimigos; mas tu nem chegaste a te inteirar sobre o que era esse tal de “liberalismo”!

Adam Smith: Quem não se consola é porque não quer, Carlos. O certo é que o que aconteceu nos últimos 30 anos no mundo vai contra tudo o que tu e eu, como economistas e como filósofos morais, queríamos. Olha esses pobres espanhóis, inventores do termo “liberalismo”. A ti e a mim importava sobretudo a distribuição funcional do produto social (isso a que agora tratam como PIB): pois bem, a proporção da massa salarial em relação ao PIB não parou de baixar, na Espanha, e seguiu baixando inclusive depois que o partido até há muito pouco tempo se dizia marxista voltou a assumir o governo em 2004...

Karl Marx: Sim, sim, um horror...Mas é que quando esses meninos supostamente me abandonaram por ti e passaram a se chamar “social-liberais” no começo dos anos 80, o que fizeram foi uma coisa que também teria te deixado de cabelo em pé. Observa que não só retrocedeu a proporção da massa salarial em relação ao PIB, senão que, na Espanha do pelotazo (2) e do enrichisez-vous (3) de Felipe González, o mesmo que na Argentina da “pizza e do champanhe” de Menem e em quase todo o mundo, os lucros empresariais propriamente ditos também começaram a retroceder também em relação aos rendimentos imobiliários, financeiros e as rendas monopólicas, no PIB...

Adam Smith: Como nos arrebentaram, Carlos!
Karl Marx: Não te desesperes, Adam. A história é caprichosa e, quem sabe seja melhor, agora, que comecem a nos levar a sério. Observa que acabaram de dar o Prêmio Nobel a um menino bem danado, que há anos estuda a competição monopólica e resgata Chamberlain e Keynes, esses caras que ao menos se esforçaram para nos entender, a ti e a mim, nos anos 30 do século XX, e que queriam promover a “eutanásia do rentista”...

Adam Smith: - Eu fui um republicano whig bastante cético, Carlos. Não vivi o movimento dos trabalhadores dos séculos XIX e XX e a epopéia de sua luta pela democracia. Não posso entregar-me tão facilmente ao Princípio Esperança (4) daquele famoso discípulo teu, agora, certamente, quase esquecido.

Tradução: Katarina Peixoto

Notas

(1) O Whig Party era o partido que reunia as tendências liberais no Reino Unido e se contrapunha ao Tory Party, dos conservadores. Whig (ou Whigs) é uma expressão de origem popular que se tornou termo corrente na designação do partido liberal no Reino Unido. Esta corrente contribuiu para a formação do atual Partido Democrata Liberal – Liberal Democrats. Também está presente em algumas vertentes do Partido Trabalhista inglês-Labour Party. É profundamente relacionado ao protestantismo calvinista, na sua forma presbiteriana, das sociedades escocesa inglesa. Tem origem nas forças políticas escocesas e inglesas que lutaram a favor de um regime parlamentar protestante: o Whig Party.O Whig Party foi um dos partidos mais influentes no sistema parlamentar britânico até o fim da Primeira Guerra Mundial, alternando com os Tories na formação do governo britânico. Depois da Primeira Guerra, o partido perdeu importância e foi praticamente substituído pelo partido trabalhista (Labour Party) na alternância do poder político no Reino Unido com os Tories.(http://pt.wikipedia.org/wiki/Partido_Whig_(Reino_Unido) N.deT.

(2) A cultura do pelotazo, na Espanha, refere-se ao enriquecimento rápido e sem esforço.

(3) Expressão atribuída historicamente a uma suposta afirmação do historiador e político francês François Guizot (1787-1874). Num contexto de restauração de forças conservadoras no poder francês, teria Guizot, segundo consta na tradição do anedotário político, expressado seu entendimento da agenda revolucionária de 1789. Consta que, logo após ter assumido a chefia efetiva do governo, por volta de 1840, ele pronunciou: “Esclareçam-se, enriqueçam, melhorem a condição moral e material da nossa França”. Para outros, Guizot disse isto: “Enriqueçam para o trabalho e para a indulgência e serão eleitores”, respondendo aos detratores do voto censitário. A expressão passou então a ser usada como descrição de um comportamento cínico e privatista, como parece ser o caso nesse diálogo. N.deT.

(4) O Princípio Esperança (editado no Brasil pela Contraponto) é o trabalho mais famoso de Ernst Bloch, de 1959. Sobre Bloch, são dignas de reprodução as seguintes considerações de Michael Löwy: “Teólogo da revolução” e filósofo da esperança, amigo de juventude de Lukács e Walter Benjamin, Ernst Bloch designa a si próprio como um pensador romântico revolucionário. Nascido na cidade industrial de Ludwigschafen, sede da IG Farben (Importante Empresa Química), olhava com espanto e admiração a cidade vizinha, Manheim, velho centro cultural e religioso; como dirá mais tarde numa entrevista autobiográfica, esse contraste entre “a aparência feia, despida e sem delicadeza do capitalismo tardio” - símbolo do “caráter-de-estação-de-trens” (Bahnfof-shaftigkeit) de nossa vida moderna e a antiga cidade do outro lado do Reno, símbolo da “mais radiante história medieval” e do “Santo Império Romano Germânico”, deixou uma profunda marca em seu espírito.Leitor entusiasta de Schelling desde a adolescência, aluno do sociólogo neo-romântico (judeu) Georg Simmel, em Berlim, Bloch irá participar durante alguns anos (com Lukács) do Círculo Max Weber de Heidelberg, um dos principais núcleos do romantismo anticapitalista nos meios universitários alemães. Testemunhos da época o descrevem como um “judeu apocalíptico catolicizante”, ou como “um novo filósofo judeu...” que se acreditava, com toda evidência, precursor de um novo Messias./ Por essa época (1910-17), havia uma profunda comunhão espiritual entre Bloch e Lukács, de que é possível acompanhar os vestígios em seus primeiros escritos. Segundo Bloch (na entrevista que me concedeu em 1974), “éramos como vasos comunicantes; a água encontrava-se sempre à mesma altura nas duas colunas”. Foi graças a Lukács que ele se iniciou no universo religioso de Mestre Eckhart, Kierkegaard e Dostoiévski – três fontes decisivas para sua evolução espirital. ”In: Redenção e Utopia: o judaísmo libertário na Europa central (Um estudo de afinidade eletiva)”. Trad. Paulo Neves, São Paulo, SP, Companhia das Letras, 1989, p. 120). N. de T.

Deus Mercado: um voraz destruidor de moedas


Prece que está todo mundo louco.


Quantos trilhões de dólares já foram queimados para "acalmar" o deus mercado e nada adiantou?


Quanta gente vai morrer de fome para alimentar a fome do capitalismo?


Vemos diariamente que os esforços governamentais para tentar sanar a crise, dão em nada.


Mas o que é mais impressionante nisso tudo, é a força feita pelos defensores do capitalismo-neoliberal para justificar o injustificável.

Se você busca entre os articulistas de "direita", uma análise crítica, vê que eles ainda não se deram por vencidos nesta batalha. Continuam culpando o Estado, o comunismo, Marx, entre outras causas.

Este derrame de notas "pintadas", não vai nem fazer cósegas no deus mercado. Sua voracidade (dos capitalistas/especuladores) não tem medida.

O pior (dizem que desgraça pouca é bobagem) que a crise financeira dos mercados, vem acompanhada de uma crise que foge do controle do mercado: a crise ambiental. Esta sim, a pior crise.

No último século, nós (humanos em geral) fomos protagonistas de uma sanha de usurpação e destruição dos recursos naturais e da natureza, respectivamente. Agora, estamos colhendo o que plantamos.

Até onde chegaremos?


Uma incógnita

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Natureza e tragédia: o quê fizemos com aTerra?


A natureza dá tudo ao homem. A vida humana, depende somente da natureza. O conhecimento, a tecnologia e os alimentos, tudo isso depende da natureza.


Mas, o homem e a sociedade, se afastaram da natureza, como se fosse somente para deixar de ser humano, para ser um, quem sabe, semi-deus.


A nossa visão de natureza é de que ela é a eterna mantenedora de nossas necessidades, ilimitada...


Mas na realidade, esta visão egoista, está nos levando a uma fragilidade sem precedentes. Pensamos que a técnica tudo resolve. Mas, ao contrário, a técnica, está é nos levando a um ponto sem retorno, em que a nossa interferência no meio ambiente, está nos levando a enfrentar a sua fúria, querendo tomar de volta o que o homem tirou.


Gaia (ou a Terra), é um ser vivo. E como tal, sente que está em perigo. Desta forma, vai se utilizar de mecanismos para voltar ao equilíbrio.


Nps últimos anos, a força da natureza vem sobrepujando a técnica humana. Catástrofes climáticas e ambientais são uma pequena amostra do que está por vir.


Vimos atônitos e impotentes a tragédia que se abate sobre o vizinho estado de Santa Catrarina.


Inundações, desabricados, mortos e prejuísos incalculáveis devem nos fazer pensar no que estamos fazendo com o Planeta.


A natureza está pedindo socorro. E os homens, parece que não escutam suas lamúrias, é muito triste.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

A sanha especulativa do capitalismo globalizado:


Nestes tempos de crise (durante minha vida, já passei por várias) e seus desdobramentos, invariavelmente, quem se dá mal, não são os ricos, é claro.

Seus recursos financeiros, adquiridos com "arduo" trabalho de especular, está bem guardado.

Quem vai pagar mesmo, somos nós, pobres mortais que não temos nada com o que está acontecendo. Não especulamos. Não temos capital. Em fim, trabalhamos simplesmente e, com o que ganhamos, somente vivemos. Uns bem outros não tão bem. Muitos outros mal.

Nos desdobramentos da crise finançeira do capitalismo globalizado, o desemprego é a ameaça mais cruel do sistema. De uma hora para outra, pessoas com uma vida estável, são alijadas do trabalho que as sustentam. Muita pessoas perdem tudo, até mesmo a vida. Miséria. Fome.

É uma situação socialmente cruel e injusta.

Segundo matéria da BBCBrasil, a atual recessão econômica será "sem dúvida a mais grave desde o início dos anos 80 e provocará forte aumento do desemprego", afirma a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (www.oecd.org/) em seu relatório Perspectivas Econômicas, divulgado nesta terça-feira.

A OCDE estima que o número de desempregados nos países que integram a organização poderá aumentar em 8 milhões nos próximos dois anos apenas. O desemprego poderia subir dos atuais 34 milhões para 42 milhões até 2010.

Mas não serão somente os países ricos e desenvolvidos que vão sofrer cortes de empregos. Em relação ao Brasil, a organização prevê que o crescimento econômico vai permanecer forte, "mas irá perder um pouco do fôlego". "Indicadores recentes, como as vendas, a utilização da capacidade industrial e a produção permitem prever, no entanto, uma desaceleração nos próximos meses."

"A atividade no Brasil irá sem dúvida perder o fôlego no primeiro semestre de 2009, em razão das restrições ao crédito, mas deverá retomar o vigor no final do próximo ano e depois em 2010", prevê a OCDE.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Ponto sem volta para a Amazônia é de 50%, diz estudo


O limite máximo de desmatamento que a Amazônia pode suportar antes de se transformar irreversivelmente numa savana é 50%, segundo um estudo divulgado hoje em Manaus pelo pesquisador Gilvan Sampaio, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Este é o chamado "ponto sem retorno", ou tipping point, em inglês, a partir do qual a floresta perde a capacidade de se regenerar. Hoje, cerca de 20% do bioma já foi desmatado em toda a América do Sul. Se os atuais 20% de área desmatada chegarem a 50%, a situação se tornará irreversível.


Leia a notícia na íntegra aqui.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Os monopólios do dinheiro e da palavra


Por Emir Sader

A ditadura militar terminou, porém o Brasil continuou a ser o país mais desigual da América Latina – o continente mais desigual do mundo. Continuamos a ser assim uma ditadura social, em que as mesmas elites se apropriam, de geração a geração, do substancial da riqueza material e simbólica, ao mesmo tempo que ocupam os postos de poder político e ideológico.

A transição da ditadura à democracia foi política, de substituição de um sistema por outro, mas nenhuma reforma substancial promoveu a democratização econômica, social e cultural do país. Ao contrário, desde então o poder do sistema bancário e financeiro só aumentou, da mesma forma que o poder sobre a terra, o mesmo ocorrendo com o monopólio privado da mídia. (Recordemos que o Ministro das Comunicações do primeiro presidente civil foi ACM que consolidou a repartição do sistema de comunicações). Leia mais aqui.

Quem não sabia? Negros ganham menos que "não-negros"


Segundo matéria da Folha, o rendimento médio da população negra na região metropolitana de São Paulo ficou em R$ 4,36 por hora no ano passado, pouco mais da metade dos rendimentos recebidos pelos não-negros (R$ 7,98). Além disso, segundo levantamento da Fundação Seade divulgado nesta terça-feira, a taxa de desemprego para os negros estava em 17,6% em 2007 e o índice dos não-negros era de 13,3%.


A desigualdade de salários não foi apenas observada entre as raças, mas também entre os sexos. Em 2007, os homens negros recebiam R$ 4,84 por hora enquanto os do outro grupo R$ 8,66. No caso das mulheres, o salário da negra era, em média, de R$ 3,86 enquanto os das não-negras era de R$ 6,88.

A pesquisa do Seade verificou que até em grupos mais homogêneos, como ocupados nos Serviços Domésticos, na Construção Civil ou que realizam tarefas de execução sem qualificação, os negros ainda ganham menos do que os não-negros.

O estudo apontou que a população negra na PEA (População Economicamente Ativa) representava um terço do total, porém a taxa de desemprego nesse grupo atingia 42,9% no ano passado.

"Em grande parte, esse descompasso reflete o acúmulo de carências ao longo de várias gerações, cujos efeitos levam ao comprometimento de uma formação adequada que prepare o indivíduo para o mercado de trabalho", afirma o Seade em comunicado.


Especulação imobiliária, lavagem de dinheiro e as desigualdades sociais.

Esta foto feita por mim , mostra um prédio ocupado pelo Movimento Nacional de Luta pela Moradia - MNLM, no Centro do Rio. Na bandeira a rinvidicação pela reforma urbana.

Estava no Rio de Janeiro, mas atento na votação da Câmara de Porto Alegre, sobre o famigerado projeto especlativo do Pontal do Estaleiro. E, através a Internet, vi o trágico desfecho: sua aprovação.


Estava na cara, com os empreendedores fazendo pre$$ão sobre os vereadore$, já estava garantido a sua aprovação.


Aí me deparo com uma matéria no RS Urgente, onde o "Um estudo do economista Mauro Salvo, especialista na prevenção de crimes financeiros aponta a existência de indícios de lavagem de dinheiro no mercado imobiliário de Porto Alegre".


É mais do evidente, imóveis de luxo sendo "consumidos" com tanta voracidade, não se destinam somente à moradia.
É só abrir a ZH e vemos um avanço desproporcional deste tipo de imóvel em Porto Alegre. Mas por outro lado, há falta de investimentos em habitação popular, a verdadeira necessidade para sanar o problema de moradia de milhares de pessoas.


Aí não vemos nada, somente os investimentos pontuais da Prefeitura do Foga$$a que, por incrível que possa parecer, foram decididos a mais de quatro anos, pelo Orçamento Participativo, do Governo do Partido dos Trabalhadores.


Novos investimentos na área popular, atualmente, nada...


Na realidade, o que realmente falta mesmo, é uma reforma urbana profunda que permita uma melhor qualidade de vida a uma população historicamente excluída de morar em unidades minimamente decentes.


Assim, como está, somente veremos mais desigualdades sociais.

Emissão de gases cresce 2,3% em países industrializados

da BBC Brasil

Novos dados divulgados pela Organização das Nações Unidas nesta segunda-feira apontam que a emissão de gases causadores do efeito estufa cresceu em média 2,3% entre 2000 e 2006 nos 40 países mais industrializados do mundo.

Os maiores aumentos foram registrados nos países do antigo bloco soviético e no Canadá, cujas emissões cresceram 21,3% desde 1990, quando deveriam ter caído 6%.

A ONU alertou para as graves conseqüências para o clima global caso as nações industrializadas não se esforcem mais para controlar as emissões destes gases.

Mesmo entre os países industrializados que assinaram os Protocolos de Kyoto, em 1997, as emissões de gases cresceram a partir de 2000.

Apesar do aumento, os dados mostram que em 2006 as emissões caíram 0,1%, mas o número foi considerado "estatisticamente insignificante" pela ONU.

Segundo Yvo de Boer, secretário-executivo da UNFCCC (Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), o maior aumento nas emissões nos seis primeiros anos desta década se deu entre os ex-países socialistas do Leste e da Europa Central, "que tiveram um aumento de 7,4% nas emissões de gases entre 2000 e 2006".

Conferência

"Estes dados claramente ressaltam a urgência de que sejam feitos progressos nas negociações de Poznan e que seja desenvolvido um novo acordo para responder aos desafios das mudanças climáticas", disse De Boer.

O secretário-executivo da UNFCCC se referia à conferência sobre as mudanças climáticas que acontece na cidade polonesa de Poznan entre os dias 1 º e 12 de dezembro e que servirá de preparação para outra conferência sobre o clima marcada para o ano que vem em Copenhague, Dinamarca.

A conferência de Poznan, que acontece em pouco mais de duas semanas, marca a metade das negociações de um tratado de diminuição nas emissões de gases que substitua os Protocolos de Kyoto, que vencem em 2012.

No encontro, os países signatários vão avaliar os progressos que fizeram até o momento e discutir o que precisa ser feito para que se chegue a um novo acordo sobre o clima em 2009.


Extraído da Folha

Yeda e o RS: Um governo de papel



Não acredito no que leio e vejo na mídia lacaia gaudéria. É lamentável a conivência (interesseira) sobre a falácia do propalado "déficit zero".

Assim, com tanta "força" é muito fácil fazer evento para divulgar esta façanha de mentira.

NÃO EXISTE DÉFICIT ZERO.

O que existe é a não aplicação dos repasses constitucionais para a saúde, educação, segurança, precatórios, ICMS aos municípios e fornecedores. Quer dizer, o que o desGoverno Yeda trata como déficit zero, não passa de um calote na sociedade Riograndense.

Vemos os funcionários da Educação e da Segurança do Estado em greve, exigindo melhores salários e condições de trabalho e a desGovernadora fazendo showzinho, anunciando este grande feito (?) e mais o pagamento sem parcelamento do 13° salário (uma obrigação).

É muita cara de pau!

Fica no ar uma outra questão:

E o empréstimo junto ao Banco Mundial, onde foi parar?

Não serviu para maquiar estes números?

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

O Rio de Janeiro: Lá é Brasil de "verdade"...


Meu olhar sobre a cidade do Rio e do seu povo, me remete a pensar que lá está o Brasil. Diferente de nós, aqui no Rio Grande do Sul, o povo dessa cidade global, expressa a sua brasilidade, seja no "jeitinho" de driblar os problemas de moradia, transporte, segurança, etc. e de encarar a vida, sempre alegre e divertido, como se os problemas não existissem.

Fiquei hospedado em um hotel na Lapa, centro do Rio, por ser próximo onde aconteceu o evento que participei. Isto me proporcionou conhecer ( já fui ao Rio umas três vezes) uma cidade diferente, onde a vida começa depois da cinco da tarde, com o chopinho num dos incontáveis botecos, a conversa com os amigos e terminando em uma das casas noturnas com música ao vivo, samba e MPB, é óbvio.

Diferente daqui, do RS, as bandeiras que lá se vê, são as do Brasil. Não existe essa coisa de "somos melhores", levamos o "resto" do País nas costas, somos "politizados" e assim por diante. Em fim, como diz aquela música do Gilberto Gil:

"O Rio de Janeiro continua lindo".

X Encontro Brasileiro de Comitês de Bacias Hidrográficas - Rio de Janeiro/RJ


Não sei se alguém chegou a sentir minha ausência, mas eu estava fora, na Cidade Maravilhosa, participando de um evento muito importante para a gestão dos recursos hídricos no Brasil. O X Encontro Brasileiro de Comitês de Bacias Hidrográficas, que aconteceu no Rio de Janeiro de 19 à 14 de novembro último, reuniu mais de 1.200 representantes de comitês de bacias hidrográficas de norte a sul do País.

Este evento teve como objetivo a integração e troca de experiências na gestão deste recurso natural e bem público do povo brasileiro, tão importante para a vida e o desenvolvimento social e econômico da sociedade brasileira.

Pude constatar que, mesmo com as inúmeras dificuldades encontradas na consolidação do Sistema Nacional de Recursos Hídrcos - SNRH, avanços significativos já foram alcançados, graças ao empenho e a dedicação de milhares de cidadãos, da sociedade civil organizada, dos órgãos públicos e dos mais diversos usuários da água, que vêem no bem comum, a fórmula para preservar os nossos mananciais.

Mas mesmo assim, não se pode achar que é tudo um mar de rosas pois, em conseqüência do modelo capitalista de desenvolvimento, o meio ambiente sofre com a poluição, com a apropriação desmedida dos recursos naturais, que grera, invariavelmente, graves problemas sociais e ambientais, principalmente sobre os corpos d'água que, via de regra, são os depositários de um cem número de dejetos das nossas casas (esgotos), das nossas indústrias (efluentes) e da agricultura (pesticidas e adubos).

Mas tenho fé em que o homem ainda vai acordar para o imenso mal que está fazendo a si e a toda natureza.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Eleições americanas

Obama eleito!


E agora?

O Mundo não será mais o mesmo?
Ou tudo continua igual?

São questionamentos que nos vêm a mente neste momento. A palavra "mudança", nunca foi tão usada nos EUA e no Mundo. A crise financeira (do capitalismo globalizado) e a crise ambiental (do uso indiscriminado dos recursos naturais) devem ser temas obrigatórios a serem tratados pelo novo presidente norte americano.
Mas não nos iludamos, Obama é somente "O" presidente, por trás dele, muitos interesses ocultos (e explícios) estão em jogo no tabuleiro geopolítico internacional.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

A natureza é inexorável


Uma pesquisa publicada nesta quinta-feira, 30, na revista NatureGeoscience demonstra, pela primeira vez, que a ação humana é responsável pelo significativo aumento da temperatura nos pólos nas últimas décadas. O aquecimento no Ártico e na Península Antártica (região mais ocidental do continente) já havia sido comprovado antes, mas as mudanças não foram atribuídas diretamente à influência do homem, que permanecia como uma das hipóteses possíveis, mas sem comprovação.

Ver a matéria completa aqui.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Relatório mostra que crédito ambiental do planeta se esgotará em 2030


Se fala muito na crise do mercado global do capitalismo. Mas não se diz uma só palavra sobre a crise ambiental que a Terra está enfrentando.


O consumismo desenfreado, fomentado pelo capital (que precisa do lucro para soberviver), está matamdo a "galinha dos ovos de ouro". Em breve, a Terra deverá entrar em colapso (o que já pode ser sentido através da perda da biodiversidade, do aquecimento global, por exemplo), levando a humanidade a um beco sem saída.


O relatório Planeta Vivo 2008, publicação bianual da Rede WWF, mostra que, caso o modelo atual de consumo e degradação ambiental não seja superado, é possível que os recursos naturais entrem em colapso a partir de 2030, quando a demanda pelos recursos ecológicos será o dobro do que a Terra pode oferecer.


Alguns países, como os EUA e a China, demandam mais que sua biocapacidade (aquilo que seus ecossistemas são capazes de oferecer), se caracterizando como “países devedores ecológicos”. Outros, como o Brasil, por exemplo, são “países credores ecológicos”, pois ainda possuem mais recursos ecológicos do que consomem, e usualmente “exportam” sua biocapacidade para os devedores.


É por isso que “países devedores ecológicos” mandam para o Brasil as suas corporações, para levar aos seu países de origem, a nossa riqueza.


Veiam a matéria completa aqui.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Venha participar dessa Aula Grátis de História

Venha participar dessa Aula Grátis de História, promovida pelo Pré Vestibular Popular, em preparação para o Vestibular da UFRGS 2009.

Tema: II Gurra Mundial e Guerra Fria e seus desdobramentos.

Quando: domingo dia 02 de novembro de 2008, às 9 horas

Onde: Rua dos Andradas N° 691 sala 11 - Centro - Porto Alegre.

Inscrições pelo site: www.pvp.ongep.org

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Algumas fotos minhas

Pôr do sol em Sâo Borja/RS- Brasil

Um dia frio e de vento na orla do Guaíba - Porto Alegre/RS - Brasil

Uma cena no Parque Estadual de Itapeva, Torres/RS - Brasil


Entardecer da janela de minha casa, Porto Alegre/RS - Brasil



Arredores de Bento Gonçalves/RS - Brasil




segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Eleição em Porto Alegre: mais quatro anos de Foga$$a

Não posso deixar de tecer alguns comentários sobre a reeleição do Foga$$a aqui para a capital do "bovinão", Porto Alegre.

Foga$$a fez uma campanha "certinha", com chavões milimétricante elaborados por marqueteiros tarimbados que agradou em cheio o eleitorado (conservador).

O prefeito virtual (que somente saiu para rua para se reeleger), contou com a complacência da mídia gaudéria (assim como tem a Yeda), que não repercutiu os desmandos e a ineficiência administrativa do novamente alcaide da "mui leal e valorosa".

Utilizou-se muito bem da obras eleitoreiras (aquelas feitas às pressas para "dar voto"), tais como o recapeamento asfáltico de ruas centrais, entrega de casas, revitalização da orla do Guaíba para a Pepsi, etc.

Ele adonou-se de obras do PT, como o conduto Álvaro Chaves, das casas populares, até mesmo da duplicação da Diário de Notícias, conseguidas por Raul Pont, para a liberação do Shopping Barra Sul.

E, é óbvio, o cultivo da velha tática de alimentar o surrado anti-petismo.

E no segundo turno, o famoso "todos contra um", os mesmo os partidos que bateram no Foga$$a no primeiro turno, correram para seus braços (todos contemplados com CCs, é claro), num frentão anti-petê.

Mas, por outro lado, o que muito ajudou sua vitória, foi o próprio PT. Que não se empenhou em nada na campanha da Maria do Rosário. Isto foi fruto de uma convenção manipulada pela corrente do José Dirceu que, com muita grana, fez de Rosário a candidata do PT, em detrimento de Rossetto (que no meu ponto de vista, teria mais condições políticas e experiência para, quem sabe, vencer a eleição).

O discurso da Maria foi morno, sem aprofundar, igual a do próprio Foga$$a. Ela não conseguiu se posicionar como uma nova maneira de governar, o contra-ponto. E, como era tudo igual, o eleitor optou por dar mais quatro anos de atraso para a cidade (é claro que para os ricos não).

Mas de qualquer forma, do jeito que se apresentou esta eleição, o PT saiu de forma digna desta eleição. Elegeu a maior bancada na Câmara, e a Maria do Rosário fez 41% de votos no segundo turno (bem mais do que os 23% do primeiro). Estes números mostra que, o Partido dos Trabalhadores tem cacife e é a segunda força em Porto Alegre.

De resto, se viu uma divisão da esquerda, que ajudou a direita a reeleger o poeta. Mostrou um equívoco político do PC do B em coligar-se com o PPS, onde a Manoela achou que tinha grande apoio, acabou a eleição derrotada, com o PPS elegendo três vereadores e o PC do B nenhum.

Penso que está na hora do PT fazer uma avaliação (e penso que já está fazendo) do cenário político para 2010, pois com o que estamos vendo do desgoverno Yeda, dá para o PT chegar ao Piratini.

E no Brasil, o Partido dos Trabalhadores foi muito bem, cresceu seus eleitores e o número de cidades conquistadas, principalmente em cidades com mais de 250 mil habitantes.

E como diz o Olívio... BOA LUTA COMPANHEIROS

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Apesar da crise, desemprego fica em 7,6% em setembro, estável em relação a agosto


Parece que ainda não estão se refletindo no Brasil, os efeitos da crise do capitalismo globalizado.

A taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do Brasil ficou estável em setembro, em 7,6%, mesmo índice verificado no mês anterior, informou nesta quinta-feira o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em relação a setembro do ano passado (9%), o índice recuou 1,4 p.p. (ponto percentual).

É o melhor resultado para um mês de setembro, e o segundo melhor da série, atrás apenas de dezembro de 2007 (7,4%).

O contingente de desocupados totalizou 1,8 milhão de pessoas no total das regiões pesquisadas. Isso indica estabilidade em relação a agosto, e caiu 13,2% na comparação com setembro de 2007.


Talvez isto se deva a uma entrada maior de Dólares pois, os investimentos estrangeiros no setor produtivo do país atingiram em setembro o segundo maior resultado da série histórica do Banco Central, iniciada em 1947.

Segundo dados do BC, os investimentos estrangeiros diretos somaram US$ 6,258 bilhões no mês passado, atrás apenas do resultado registrado em junho do ano passado (US$ 10,3 bilhões).


Pode ser muito cedo para se tirar conclusões a respeito dos efeitos da crise no Brasil, mas com certeza, o País está mais forte e com uma economia encorpada. Alguns, como a pseudo-comentarista econômica da Globo, Míriam Leitão, insistem em criticar a política econômica adotada pelo Governo Lula. Mas na prática, esta mesma política, esta se mostrando eficaz para o momento.


Espero que continue assim...

George Soros e a crise: o que deu neste homem?



Dá prá acreditar que o mega especulador George Soros, dono de uma fortuna avaliada em torno de U$ 8,5 bilhões (a custa de quanta gente passando fome?), fala da necessidade da mudança de paradigma do cenário econômico-financeiro do capitalismo globalizado, para superar a atual crise.

Em uma entrevista ao jornalista norte-americano Bill Moyers, Soros, que está promovendo seu novo livro, The New Paradigm for Financial Markets: The Credit Crisis of 2008 and What It Means, onde ele prega que, "os negócios verdes podem ser o novo motor da economia mundial".


Ao ser questionado sobre o que é preciso fazer para combater a atual crise financeira, Soros disse que, além de lidar com o rombo das hipotecas e recapitalizar os bancos, é preciso investir em soluções para o aquecimento global. Como reduzir o consumo, diminuir a dependência do petróleo e apostar em uma matriz energética mais limpa.


Em suma, Geiorge Soros, agora, é um socialista!

Então, o que dirão seus seguidores?

terça-feira, 21 de outubro de 2008

A Geografia e o estudo da paisagem


Este artigo será publicado brevemente em um livro organizado pelo Prof.Dr. Roberto Verdum, do Departamento de Geografia da UFRGS. Esta publicação pretende ser uma referência para os estudos sobre a paisagem, tema que ganha força no Brasil, onde ainda existem poucas publicações a respeito.


A Geografia e o estudo da paisagem


A paisagem, em uma definição mais abrangente, pode ser entendida como a composição de elementos da natureza no espaço, dentre os quais a fauna e a flora, o homem e as edificações que constrói com a sua ação no espaço geográfico. A Geografia, enquanto ciência, estuda a paisagem por deferentes vertentes do pensamento geográfico de distintas maneiras. Mas todas têm como consenso, que a paisagem, é a materialização resultante da interação do homem e os elementos da natureza.


A paisagem também pode ser tudo que pode se ver num lance de vista ou o "conjunto de componentes naturais ou não de um espaço externo que pode ser apreendido pelo olhar" (HOUAISS, 2001, p. 2105). A polissemia da paisagem traz consigo muitas definições. Entre estas, para Santos (2002), "a paisagem é o conjunto de formas que, num dado momento, exprimem as heranças que representam as sucessivas reações localizadas entre homem e natureza". Santos, aqui, agrega à paisagem o fator da temporalidade na sua constituição.

Assim, ao longo da história, as diferentes abordagens sobre paisagem tentam não somente descrevê-la enquanto conceito geográfico. A paisagem é diferenciada e compartimentada entre paisagem natural, que reflete a interação dos elementos naturais (relevo, vegetação, solo, rios, etc.) e paisagem cultural, como o resultado da ação do homem e da sociedade sobre a natureza, da qual resulta os espaços urbanos e rurais. Mas, também, a paisagem como objeto que pode ser sentida pelo homem, trazendo-lhe inúmeras sensações e sentimentos.

Berque (1998) afirma que a paisagem é uma marca, pois expressa uma civilização, mas é também uma matriz, porque participa dos esquemas de percepção, de concepção e de ação – ou seja, da cultura, que canaliza, em um certo sentido, a relação de uma sociedade com o espaço e com a natureza e, portanto, corresponde a paisagem do ecúmeno.

Bertrand (1968), ao propor o estudo de Geografia Física Global, pensou a paisagem como "resultado sobre uma certa porção do espaço, da combinação dinâmica e, portanto, instável dos elementos físicos, biológicos e antrópicos, que, interagindo dialeticamente uns sobre os outros, fazem da paisagem um conjunto único e indissociável em contínua evolução". A paisagem também pode ser tida como a "configuração de símbolos e signos" (COSGROVE e JACKSON, 2003, p. 137), sendo que a "linha interpretativa da Geografia Cultural recente desenvolve a metáfora da paisagem como ’texto’, a ser lido como documento social".

Dessa maneira, o estudo geográfico da paisagem apresenta dois enfoques principais. Um que a considera total e a identifica como o conjunto do meio, contemplando a este como indicador e síntese das inter-relações entre os elementos inertes: rocha, água e ar, e os vivos: plantas, animais e homem. E o outro, que considera a paisagem visual percebida como a expressão dos valores estéticos, plásticos e emocionais do meio.

A paisagem, em seu conjunto, reúne todos esses fatores, e aos quais se adiciona a possibilidade de valores expressivos e de significação cultural. Os mesmos podem compreender conteúdos estéticos e conotações significativas, constituindo-se como um tema de inspiração para o homem.
Ao tratar sobre a origem e a conformação do processo de produção de uma paisagem, seja ela natural ou cultural, intervém um conjunto de fatores geológicos, geográficos e biológicos, que não permitem analisá-la como ente independente do ser humano e sobre sua incidência no mesmo, posto que sua ideologia, desenvolvimento e cultura modificam em maior ou menor grau tais fatores. Essa correlação entre o homem e esses fatores daria lugar à história de uma paisagem. Não se pode realizar uma análise específica de um lugar sem considerar os aspectos gerais, que tornariam esse estudo mais completo.

Em "The Morphology of Landscape", Sauer (1925) argumenta que a paisagem geográfica é formada pelo conjunto de formas naturais e culturais associadas a uma dada área e analisada morfologicamente, a integração das formas entre si e o caráter orgânico delas. Portanto, a paisagem cultural ou geográfica é uma resultante da ação, ao longo do tempo, da cultura sobre a paisagem natural. Sauer também considera que a "paisagem possui uma identidade, sustentada por uma constituição reconhecível, limites e uma relação com outras paisagens, para construir um sistema geral".

O estudo da paisagem cultural proporciona uma base para a classificação regional, possibilita um insight sobre o papel do homem nas transformações geográficas e esclarece sobre certos aspectos da cultura e de comunidades culturais em si mesmas. Busca diferenças na paisagem que possam ser atribuídas a diferenças de conduta humana sob diferentes culturas, e procura desvios de condições "naturais" esperadas, causados pelo homem.

A paisagem cultural aborda a associação de características humanas, biológicas e físicas sobre a superfície da Terra (especialmente as que são visualmente perceptíveis), alteradas ou não pela ação humana. Como a paisagem, é considerada a materialização da ação humana no espaço, através da necessidade de adaptação à sobrevivência do homem na natureza, e, atualmente, a sociedade, de alguma maneira, está presente em quase toda a superfície terrestre, podemos dizer que, nessas circunstâncias, não mais existe uma paisagem natural. Haja vista que toda a paisagem, mesmo que aparentemente intocada, já perdeu a sua "naturalidade", pois foi, segundo Santos (2002), coisificada. Mesmo que o homem não tenha nela colocado os seus pés, já lhe foi atribuído algum significado e, portanto, faz parte de uma cultura, até mesmo de uma cultura capitalista, na qual faz parte o "racionalismo econômico" (LEFF, 2006) a tudo dá valor. Assim sendo, mesmo de maneira genérica, poder-se-ia dizer que toda a paisagem é cultural, pois mesmo nos recantos intocados das florestas tropicais há a incidência dos valores sociais atribuídos pelo homem.

Tomando como base essas definições, podemos dizer que:

"[...] a paisagem que vemos hoje não será a que veremos amanhã e nem tão pouco é a que foi vista ontem, pois a paisagem é produzida e reproduzida no decorrer do tempo, através da ação do homem e da sociedade sobre o território, levando em conta que cada ator social tem seu tempo próprio no espaço. Assim, a paisagem é por conseguinte objeto, concreto, material, físico e efetivo e é percebida através dos seus elementos, pelos nossos cinco sentidos, é sentida pelos homens afetivamente e culturalmente". (BERINGUIER, 1991, p. 7)

A paisagem como suporte para a leitura da percepção

A percepção da paisagem tem como pressuposto que seja produzida segundo a cultura das pessoas que nela estão inseridas. Assim, não há como entender a paisagem sem levarmos em consideração os preceitos metodológicos e teóricos da Geografia Cultural.
A Geografia Cultural é tida como um ramo das ciências geográficas preocupado com a distribuição espacial das manifestações culturais, como: religiões, crenças, rituais, artes, formas de trabalho; enfim, tudo que é resultado de uma criação ou transformação do homem sobre a natureza ou das suas relações com o espaço, seja no planeta, em um continente, país, etc. A exemplos dos estudos sobre: "espaço e religião; espaço e cultura popular; espaço e simbolismo; paisagem e cultura; percepção ambiental e cultural; espaço e simbolismo..."(CORRÊA, 1995, p. 03-11).

Atualmente, pode-se pensar na Geografia Cultural como aquela que considera os sentimentos e as idéias de um grupo ou povo sobre o espaço a partir da experiência vivida. Trata-se de uma geografia do lugar. Também pode ser considerada como a dimensão espacial da cultura. Tradicionalmente, desde o começo do século XX, essa dimensão espacial tem sido focalizada por intermédio de temas como os gêneros de vida, a paisagem cultural, as áreas culturais, a história da cultura no espaço e a ecologia cultural. Para Cosgrove (2003, p. 103) "a tarefa da Geografia Cultural é apreender e compreender a dimensão da interação humana com a Natureza e seu papel na ordenação do espaço".

Como dito anteriormente, é impossível falar na Geografia Cultural sem citar Sauer ou a "Escola de Berkeley", que denomina a corrente do pensamento geográfico fundamentada a partir de sua obra. A Geografia Cultural surgiu no início do século, na Alemanha: era a "Kulturlandschaft". Na Geografia Cultural alemã, as paisagens correspondiam a um conhecimento específico, que servia para diferenciá-la das outras ciências.

Essa Geografia considerava a paisagem como uma unidade espacial definida em termos formais, funcionais e genéticos. A primeira obra teórica importante de Sauer foi The Morfology of Landscape. Neste importante trabalho, Sauer estabelece conceitos que fundamentaram a Geografia Cultural, principalmente a norte-americana, entre eles: a valorização da relação do homem com a paisagem (ambiente), que por ele é formatada e transformada em habitat; a análise dessa relação sempre é feita a partir da comparação com outras paisagens, formatadas organicamente, o que gera uma visão integral da paisagem que individualiza a Geografia enquanto disciplina.

Ao longo dos anos, outros conhecimentos vêm fazer parte da Geografia Cultural, enriquecendo as pesquisas geográficas que enfatizam a cultura como agente transformador do espaço. São incorporadas diversas referências teóricas e metodológicas, tais como os ramos da filosofia dos significados, da fenomenologia, do materialismo histórico e dialético e das humanidades em geral.
A esses aprofundamentos também são agregados à Geografia Cultural temas que não eram por ela tratados anteriormente. Nessa mudança, o conceito de cultura é repensado. A cultura não é mais vista como entidade supra-orgânica, nem como superestrutura. A cultura diz respeito às coisas do cotidiano, comuns, apreendidas na vida diária, na família, no trabalho e no ambiente local. As idéias, habilidades, linguagem, relações em geral, propósitos e significados comuns a um grupo social são elaborados e reelaborados a partir da experiência, contatos e descobertas – tudo isto é cultura.

A cultura pode ser vista, também, como o conjunto de manifestações humanas que contrastam com a natureza ou comportamento natural, a soma total dos modos de vida construídos por um grupo de seres humanos e transmitidos de uma geração para outra, ser considerada uma propriedade ou atributo inerente aos seres humanos, ou ainda ser meramente um artifício intelectual para generalizar convenientemente a respeito de atitudes e comportamentos humanos (WAGNER e MIKESELL, 2003).

A noção de cultura não considera indivíduos isolados ou as características pessoais que possam possuir, mas comunidades de pessoas que ocupam um espaço determinado, amplo e geralmente contínuo. Assim, a cultura está assentada em uma base geográfica. Dessa maneira, a Geografia Cultural é a aplicação da idéia de cultura aos problemas geográficos, os aspectos da Terra, em particular aqueles produzidos ou modificados pela ação do homem (sociedade). Distingue, descreve e classifica os complexos típicos de aspectos ambientais, incluindo aqueles realizados pelo homem, que coincidem com cada comunidade cultural, considerando-os como paisagens culturais e procurando origens na história cultural. Assim, a cultura ao produzir e reproduzir o espaço, deixa a sua marca visível, o resultado material da interação do homem com o meio: a paisagem ou a paisagem cultural.

Qualquer cultura é limitada em sua capacidade de transformar o habitat por meio de conhecimento técnico, administração e organização institucional, preferências, proibições, etc. "O geógrafo cultural não está preocupado em explicar o funcionamento interno da cultura [...], mas avaliar o potencial técnico de comunidades humanas para usar e modificar seus habitats" (WAGNER e MIKESELL, 2003, p. 31).

As pesquisas em Geografia Cultural se dão através da investigação sobre a distribuição passada e presente de características da cultura, que constitui a base para o reconhecimento e as delimitações de áreas culturais. A área cultural implica uma uniformidade relativa ao invés de absoluta. A similaridade cultural relativa aparece em diferentes graus, desde a identidade virtual de atitudes e aptidões em num pequeno território até semelhanças gerais ou ampla disseminação de características individuais ou elementos da cultura em grandes áreas (WAGNER e MIKESELL, 2003, p. 32). Em termos geográficos, uma área cultural pode constituir uma região, forma uma unidade definível no espaço, caracterizada pela relativa homogeneidade interna com referência a certos critérios. A associação típica de características geográficas concretas numa região ou em qualquer outra subdivisão espacial da superfície terrestre pode ser descrita como paisagem.

A paisagem, em seu conjunto, reúne esses fatores e adiciona a possibilidade de valores expressivos e de significação cultural, os mesmos podem compreender conteúdos estéticos e conotações significativas, havendo se constituído como um tema de inspiração para o homem.
Para Nassauer (1995), a cultura e a paisagem interagem em uma constante realimentação, na qual a cultura estrutura as paisagens e as paisagens incorporam a cultura. Há, por conseguinte, um feedback, em que a percepção do meio, através dos filtros da cultura, determina valores paisagísticos que são atribuídos a uma paisagem, que, por sua vez, podem ser modificados se houver uma mudança na paisagem. Essa dinâmica a ajuda explicar a estrutura da paisagem de duas maneiras: primeiro como um efeito da cultura, segundo como um produto das mudanças culturais.

Toda a paisagem somente é paisagem, quando é vista, sentida e percebida. Não podemos lembrar ou descrever alguma paisagem que nunca tenhamos visto, mesmo por intermédio de algum artifício (filme, fotografia, desenho, pintura, etc.). Então, a paisagem somente existe na relação do homem com o meio. E essa relação é sempre repleta de significados que são influenciados pela cultura de um determinado lugar e seu povo. Nesse caso, os estudos da paisagem como texto podem descrever os significados da ação humana sobre o processo histórico de sua formação e sua percepção..

Pode-se comparar a percepção da paisagem a um sistema de "filtros" e relacionar esses filtros como se fossem a lente de uma câmara fotográfica. Tenta mostrar que a significação individual da paisagem depende de múltiplos fatores, dentre eles estão os culturais.

Cada indivíduo tem a sua concepção a respeito da paisagem e, sendo o indivíduo parte de uma sociedade que tem sua cultura distinta, cada cultura tem, então, o seu ideal de paisagem. E essa paisagem vai também refletir esse ideal, que juntamente com outros fatores vão influenciar na percepção da paisagem. Assim, qualquer estudo dessa natureza que não inclua a questão cultural em sua análise poderá resultar incompleto, sem um componente indispensável: o homem e a sua ação no espaço.

Assim, é importante que se inclua nesses estudos da interação homem/meio, sociedade/natureza, o estudo das paisagens culturais, pois essas consideram não apenas os atores, mas também as ações que elaboraram e continuam a elaborar as paisagens (WAGNER e MIKESELL, 2003, p. 46).

Hoje em dia, não se pode negar a relação entre cultura e urbano. Mas, nem sempre foi assim, pois até, ao final da década de 1960, não era esse o "objeto" de estudo dos geógrafos, que se debruçavam sobre as pesquisas relacionadas ao urbano. Somente a partir do início dos anos 70, começa a se entender essa imbricação. Segundo Corrêa (2003, p. 167),
"o urbano pode ser analisado sobre diversas dimensões que se interpenetram. A dimensão cultural é uma delas. Por seu intermédio amplia-se a compreensão da sociedade em termos econômicos, sociais e políticos, assim como se tornam inteligíveis as espacialidades e temporalidades expressas na cidade, na rede urbana e no processo urbano".

Sendo assim, os geógrafos passaram a perceber a dimensão cultural do urbano, em que essa relação passa a ser mais valorizada e problematizada, coincidindo com "as transformações em curso na sociedade, que se torna mais urbana e multicultural[...]" (CORRÊA, 2003, p. 168).

O urbano está repleto de significações culturais, desde a forma de organização e de uso do solo, nas suas materialidades, que são expressas em suas construções (ruas, casas, avenidas, edifícios, praças, parques, monumentos, etc.) ou nas suas relações econômicas e sociais, redes técnicas e informacionais (SANTOS, 2002, p. 263). Pode-se dizer também que a cidade abriga atualmente um contigente majoritário da população, e os interesses individuais são contraditórios. No espaço urbano, os diferentes interesses, relacionados à ocupação e uso do solo, estão repletos dessas contradições (CARLOS, 2005, p. 42). Santos (2002 p. 78) diz que "através do trabalho, o homem exerce a ação sobre a natureza, isto é, sobre o meio, ele muda a si mesmo, sua natureza intima, ao mesmo tempo em que modifica a natureza externa". E como a paisagem é a materialização do processo relacional homem/meio, a paisagem urbana tem, sem dúvidas, esse significado.

Corrêa (2002, p. 175) diz que, mesmo não se encerrando as possibilidades temáticas, as relações entre cultura e urbano podem se manifestar de diferentes modos. Mas ele relaciona aqui três dessas manifestações. Primeiro, a toponímia e identidade que, segundo Corrêa, "constitui-se em relevante marca cultural e expressa uma efetiva apropriação do espaço por um dado grupo cultural" (p. 176). Segundo, a cidade e a produção de formas simbólicas, "sendo que, em parte, por meio das formas simbólicas é que a cidade expressa uma dada cultura e realiza o seu papel de transformação cultural" (p. 177). E, em terceiro, a paisagem urbana e seus significados, sendo esta que "constitui-se em importante temática, tendo atraído a atenção dos geógrafos[...]" (p. 179).

Até a década se 1960, o foco central dos estudos da paisagem estava na sua morfologia, sendo a contribuição de Sauer, em seu artigo, já referido, The Morfology of Landscape, uma das mais importantes nesse sentido. A partir do final da década de 1970, Corrêa (2003, p. 179) sublinha que diversos autores, entre eles Meinig (1979), introduzem, nos estudos da paisagem, a interpretação. Assim, pode-se dizer que, a paisagem urbana é um campo rico para a interpretação, permitindo "múltiplas leituras a partir de diversos contextos históricos-culturais, envolvendo diferenças sociais, poder, crenças e valores". Portanto, a paisagem urbana é repleta de signos e símbolos, e seus significados podem ter inúmeros sentidos.

Partindo-se do pressuposto que a paisagem urbana é o produto e a materialização do trabalho social, ela está profundamente impregnada de relações sociais e conflitos (CORRÊA, 2003, p. 181), e é constantemente ressignificada, para que possa viabilizar a circulação do capital. Na paisagem urbana, evidenciado, dessa forma, um valor simbólico, "repositório de símbolos de classes sociais e de herança étnica". Essa dialética está presente nas diferenças das paisagens urbanas, tanto internamente, nas zonas residenciais populares e de classes mais abastadas, "que se justapõem, superpõem, contrapõem no uso da cidade" (SANTOS, 2002, p. 326), quanto externamente, nas diferenças entre as cidades. Assim, os diferentes grupos sociais, que ocupam áreas distintas das cidades e/ou cidades diferentes, vão produzir, de acordo com o seu modo de vida e de ocupação do solo, diferentes formas e diferentes paisagens no espaço urbano. Essas diferentes paisagens serão percebidas de inúmeras maneiras e com distintos significados, pois cada indivíduo "enxerga" a paisagem através dos seus "filtros", dentre os quais o filtro da cultura.

A água na paisagem urbana

Nas áreas urbanas, a percepção da água na paisagem tende a ser mais intuitiva e/ou subjetiva, pois o processo de urbanização que ocorre na maioria das cidades brasileiras e no mundo tratou de canalizar e esconder os cursos d’água, que geralmente servirão para escoar o esgoto de seus moradores e das indústrias ali instaladas. E, ao adotar a premissa de que as paisagens urbanas se formam a partir das relações entre as pessoas, o território e os processos naturais, podemos dizer que são paisagens culturais, transformando-se no tempo e no espaço. Essa transformação tende, em muitos casos, a não levar em consideração a relação homem/natureza. Para Costa (2002), "tem-se que destacar a importância do design paisagístico , da percepção e acessibilidade pública aos seus rios". A acessibilidade também pode ser obtida através da visibilidade da paisagem, pois, como essa autora, acreditamos que o acesso visual propicia um comportamento ambientalmente responsável em relação à água no espaço urbano.

Nas cidades, devido a efetiva impermeabilização dos solos pela ocupação imobiliária, pelas vias de transporte e pelo material utilizado nas canalizações, há pouca ou nenhuma realimentação do lençol freático e dos cursos d’água pela chuva, transformando-os exclusivamente em redes de esgotos. No atual processo de urbanização, a característica natural da rede de drenagem é totalmente modificada, assim como a vegetação natural é degradada ou suprimida, o relevo alterado e, até mesmo, a relação do homem com o seu meio sofre influência desse processo.

Somente nas periferias das cidades é que ainda existem redes de drenagem não canalizadas. Mas, nesses locais, os pequenos cursos d’água, sofrem com o despejo contínuo de esgotos e lixo, decorrentes da "quase total inexistência de uma política de uso e ocupação do solo" (RANGEL, 2002, p. 20).

Nas periferias das cidades, onde ocorre a expansão urbana, esta se dá, em grande parte, em áreas impróprias ou de forma inadequada, tendo-se como conseqüência inúmeros problemas ao meio físico, à própria população assentada e aos poderes públicos responsáveis pelos serviços de infra-estrutura nessas áreas.

Tem-se como premissa a ser estudada que as populações desses locais dificilmente percebem os problemas ambientais de onde vivem e não têm consciência de que são responsáveis por esse ambiente, pois estão demasiadamente envolvidas na sua própria subsistência. Essas populações sofrem com a degradação ambiental, mas já estão "acostumadas" ao lugar. A sua paisagem já foi totalmente modificada. O solo, a vegetação e, principalmente, a água já estão seriamente comprometidos.

É preciso entender como se dá o processo de percepção da paisagem pelas populações locais e, principalmente, a percepção da água na paisagem. É importante entender como os diversos grupos sociais a percebem e como é a sua relação com os conflitos inseridos no seu espaço. Pois, para se efetuar qualquer estudo geográfico a respeito da percepção da paisagem, visando a implementação de medidas mitigadoras ou de reorganização do espaço urbano e de ocupação territorial, tem-se que entender como é que as pessoas sentem e entendem o lugar em que vivem, se esperam alguma mudança e quais as mudanças que querem que sejam implementadas para melhorar a sua qualidade de vida.

Não se pode tratar dos impactos ambientais relacionados a qualidade dos recursos hídricos em áreas urbanas de forma isolada. A comunidade científica tem por cacoete compartimentar o estudo da água. No entanto, "a água precisa ser pensada enquanto inscrição da sociedade na natureza, com todas as contradições implicadas no processo de apropriação da natureza pelos homens e mulheres por meio das relações sociais e de poder" (PORTO-GONÇALVES, 2004, p.152). Segundo este autor, "o ciclo da água não é externo à sociedade ele a contém com todas as suas contradições".

O presente processo de intensificação da urbanização da sociedade afeta cada vez mais os corpos d’água e a sua qualidade, assim como implica uma maior demanda por água. Essa contradição é motivo de conflitos de uso. A final, "um habitante urbano consome em média três vezes mais água do que um habitante rural" (p.153). Outro ponto a ser destacado é que a água está sendo trazida de mananciais cada vez mais distantes, pois as fontes para o abastecimento nos grandes centros estão inviabilizadas pela crescente poluição.

Mas, como se pode, através do estudo da percepção da paisagem, saber que um dos seus elementos, nesse caso a água, está degradado? E como é que a população pode, através de sua percepção, propor melhorias na qualidade do espaço urbano e da água na paisagem?

Propõe-se então, como referencial para os estudos que pretendam avaliar a percepção da água na paisagem urbana, a comparação entre a percepção da paisagem e da água na paisagem pela população local, com as análises físico-químicas dos cursos d’água. Desta maneira, pode-se saber como está a saúde da rede hídrica na realidade e, de outra forma, como é percebida esta realidade pela população. Assim então, a partir dessa comparação, se terá subsídios para futuras intervenções na paisagem urbana, que tenham o objetivo qualifica-la, assim como qualificar as paisagens onde a água está inserida.

Referências bibliográficas

BERINGUIER, C. e BERINGUIER, P. (1991). Manieres paysageres une methode d’etude, des pratiques. In: GEODOC.Toulouse: Univesité de Toulouse. p. 5-25.
BERQUE, A. (1998). Paisagem-marca, paisagem-matriz: elementos da problemática para uma geografia cultural. In: CORRÊA, R. L. e ROSENDAHL, Z. Paisagem, tempo e cultura. Rio de Janeiro: Ed. UERJ. p. 84-91.
BERTRAND, G. (1968). Paysage et géographie physique globale. Esquisse méthodologique. In: Toulouse: Revue géographique des Pyrénnées et du SO, 39(2), p.249-72.
CARLOS, A. F. A. (2005). A cidade. São Paulo: Contexto. 98 p.
CORRÊA, R. L. e ROSENDAHL, Z. (1995) Espaço e Cultura. Rio de Janeiro: ed.uerj/ NEPEC. p.
_________. e _________. (Orgs.). (2002) Introdução à Geografia Cultural. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. 224 p.
CORRÊA, R. L. (2003) O espaço urbano. São Paulo: Ática. 94 p.
COSGROVE, D. E. e JACKSON, P. (2003.) Novos rumos da Geografia Cultural In: Introdução à Geografia Cultural. CORRÊA, R. L. e ROSENDAHL, Z. (Orgs.) Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. 224 p.
COSTA, L. M. (2002). Rios Urbanos e Valores Ambientais. In: Projeto do Lugar. Rio de Janeiro, Contra Capa Livraria /PROARQ.
HUOAISS. A. (2007). Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva. 3008 p.
LEFF, H. (2006) Racionalidade ambiental: a reapropriação social da natureza. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. 555 p.
NASSAUER, J. I. (1995). Culture and changing landscape estructure. In: Landscape Ecology v. 10 n. 4 p. 229-237, Amsterdam: SPB Academic Publishing bv.
PORTO-GONÇALVES, C. W. (2004). O desafio ambiental. Rio de Janeiro: Record. 179 p.
RANGEL, M. L. (2002). A influência da Ocupação Urbana na Qualidade da Água da Barragem Mãe D’Água. Trabalho de Graduação. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 69 p.
SANTOS, M. (2002). A natureza do espaço: Técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo: Edusp. 384 p.
WAGNER, P. e MIKESELL, M. (2003). Temas em geografia cultural. In: Introdução à Geografia Cultural. CORRÊA, R. L. e ROSENDAHL, Z. (Orgs.) Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. 224 p.




Nota do DESgoverno Yeda




É cada vez mais gritante a incompetência, a inoperância, a falta de vontade, e assim por diante, do DESgoverno da Yeda. Nos meus anos de vida política, desde a ditadura, nuca havia me deparado com algo semelhante.

Mesmo antes de assumir o Piratini, a bruxa Yeda, já dava os ares para o que veio. De lá prá cá, os RS é uma fábrica de más notícias.

Detran, Daer, Banrisul, Busatto, Calau, Germano, Casa da Yeda, Lair, e por aí à fora...

Daí, para aparentar uma lisura inexistente, a Yeda cria uma cortina de fumaça (não confundir com Foga$$a), a tal Secretaria da Transparência.

Passados míseros três meses, a titular, Mercedes Rodrigues, cansada de esperar pela implantação da secretaria, pede exoneração.

Sua frase na despedida: "Este governo não está interessado em combater as irregularidades"

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Tão "trabalhando" muito mesmo!


O rombo é grande, e a especulação também



Estamos assistindo a queda de um império, o da especulação, que está atingindo os mercados de todo o mundo. Mas qual o início desta derrocada?
Lembro-me de 2001, quando do ataque às torres gêmeas, disse Bin Laden:
O atentado atinge em cheio a economia americana (ocidental).
Parece que ele estava certo, pois de lá para cá, os EUA inventaram duas guerras (não venceram nenhuma), e estão sucumbindo economicamente e levando consigo, todo o mundo capitalista globalizado.
Mas é bom entender como se dá (não é o único motivo) o início deste processo, com a tal "bolha" do subprime:
O que é subprime?
É um crédito à habitação de alto risco que se destina a uma fatia da população com rendimentos mais baixos e uma situação econômica mais instável. A única garantia exigida nestes empréstimos é o imóvel. Este segmento do mercado de crédito é exclusivo dos Estados Unidos, não havendo na Europa um paralelismo exato.
Como surgiu o subprime?
O subprime surgiu quando o FED, Banco Central Americano, começou a baixar as taxas de juro para estimular o mercado imobiliário com o intuito de controlar os efeitos dos ataques terroristas do 11 de Setembro nos mercados de tecnologias. Mas em 2003, a criação de emprego e o investimento empresarial estavam em níveis baixos e a taxa de juro descia para 1%. Simultaneamente, as várias instituições bancárias deixaram de ser tão exigentes nas condições requeridas para conceder créditos. Quando a FED começou a subir de novo os juros o problema instalou. Com juros mais altos acompanhados pela queda do valor dos imóveis, as famílias ficaram sem capacidade para saldar as suas dívidas.
Daí vem duas questões:
Até onde vai o rombo?
Como ficará a economia mundial?
Talvez estas dúvidas incomodem a todos, mas ainda é uma incógnita.
Os bancos centrais de todo o planeta já injetaram mais de US$ 3.000.000.000.000,00 (três trilhões de dólares) e parece que nada mudou.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Yeda chama Coronel MendeSS prá bater em grevistas














Mais uma vez (até quando?) a violência da brigada é sentida, agora nas costas dos bancários do Banrisul em grve.

Presenciei a tropa de choque do Cel. MendeSS, bater nos grvistas que faziam piquete frente a agencia central do "banco dos gaúchos".

Com um contingente digno de uma incurção para desbaratar alguma quadrilha de bandidos, os homens do MendeSS, agridem covardemente funcionários do banco em greve, como já aconteceu anteriormente com os mevimentos sociais, professores, etc.

Este é o desgoverno da bruxa Yeda e o "novo jeito de reprimir"...

Vivemos numa ditadura?

E o povinho ainda vota nesta "gentalha"...

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Foga$$a e seus aliados: os pacificadores?



A mídia corporativa está sempre do lado de quem pode lhe trazer benefícios (de poder ou de lucratividade).

Mesmo que para isso tenha que encobrir (ou mentir) e omitir fatos que venham contra aos seus interesses.

Desde que o PT saiu do Estado e de Porto Alegre, é feita uma campanha quase que difamatória contra o partido e seus componentes. Taxando-os de intransigentes, arrogantes, sectários, entre outros pejorativos.

Ultimamente, a mídia, vem colocando no ar e dito por ele próprio (quanta modestidade), que o Foga$$a "pacificou" Porto Alegre, que agora não há mais "guerra". (leia aqui)

Mas não é isto que pensam e praticam os seus aliados, pois vejam o que diz o coordenador (?) de campanha do Jurandir Maciel (PTB) em Canoas, Luis Carlos Busato (PTB).

Seu preconceito e sua atitude bandida, com declarações abomináveis gravadas em uma reunião de militância do PTB (Partido da Trambicagem Brasileira) é um atentado a democracia. Isto é um crime!

A gravação está no YOU TUBE, vejam aqui.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Aracruz vai dar calote em seus acionistas.


Como eu já tinha comentado anteriormente aqui no blog, quando o capitalista ganha, somete ele ganha, mas quando o capitalista perde, somete os outros perdem.


O Estadão de hoje (leia aqui), traz uma péssima notícia para quem tem ações da papeleira Aracruz (a empresa queridinha da desgovernadora Yeda Crusius).
A empresa que não respeita o meio ambiente e tão pouco as pessoas, pretende dar um calote nos seus acionistas:

"A Aracruz informou nesta terça, 14, que resolveu cancelar o crédito e o pagamento de juros sobre capital próprio no valor de R$ 84 milhões, previsto para ocorrer a partir de 15 de outubro. Segundo a empresa, a decisão da diretoria da empresa foi decorrente dos problemas enfrentados pela companhia com operações de derivativos e em meio ao 'atual cenário nacional e internacional'".


Pois é, como disse certa vez James Carville :
"é a economia, estúpido"

Estatizar... pero non mucho.



O presidente dos EUA, George W. Bush, anunciou nesta terça-feira a compra de ações, no montante de US$ 250 bilhões, de inúmeras instituições bancárias, com recursos que já haviam sido previstos no pacote anticrise de US$ 700 bilhões aprovado pelo Congresso. Leia a matéria completa aqui.

A compra torna o governo acionista das instituições, o que, na prática, equivale a uma nacionalização parcial do sistema financeiro. De acordo com o jornal americano "
The wall Street Journal", que cita uma fonte ligada às negociações, o governo dos EUA planeja adquirir, entre outros, "blocos de ações preferenciais [que não dão ao portador direito a voto dentro da empresa, mas tem prioridade em distribuições de dividendos e reembolso do capital investido] de nove instituições de primeira linha".

O que a matéria não diz é que, na realidade, os EUA estão estatizando (palavra proibida no jargão liberal) bancos e instituições financeiras, na contra-mão do capitalismo.

Para Noam Chomsky, professor do MIT (Massachusetts Institute of Technology), uma das mais renomadas instituições de ensino superior dos EUA, se o governo norte-americano assumisse publicamente algumas de suas ações como "estatizações", poderia abrir espaço para que os cidadãos do país também passassem a reivindicar o poder de interferir na condução do sistema. Isso porque "em princípio, o governo representa o público", diz.

Segundo Chomsky , nós vivemos numa cultura altamente ideológica na qual "estatização" é uma palavra que põe medo, como "socialismo" (ou, para muitos, até "liberal"). A propósito, esse é um assunto sério. Se o Wells Fargo compra o Wachovia então tudo fica dentro do setor privado - ou seja, dentro do sistema de tirania privada no qual o público não tem voz, em princípio. Dentro do sistema ideológico isso é chamado "livre mercado" e "democracia".


Se [Henry] Paulson dá dinheiro público para bancos mas sem o direito de tomar decisões dentro dessas instituições, trata-se de um distanciamento da tirania pura chamada "liberdade", mas não muito. Se o governo adquire ações com poder de decisão dentro dos bancos, há sempre o risco de o público então também poder interferir - uma vez que, em princípio, o governo representa o público. Essa ameaça de democracia é muito mais severa para ser aceitável dentro do sistema doutrinário reinante.