terça-feira, 19 de junho de 2007

A mãe de todas as embaixadas



Hoje pela manhã, escutei algo que me dexou de boca aberta. É sobre a construção da "nova" embaixada estadunidense no Iraque. Os números e os Dólares envolvidos são uma "Babilônia". Fui à Internet, a cata de material a respeito e somente encontrei um artigo que trancrevo aqui e que o conteúdo é mais ou menos o que a notícia que eu li:




A mãe de todas as embaixadas
por Stefano Chiarini

Uma verdadeira cidadela fortificada, maior que o estado do Vaticano e "mais segura do que o Pentágono" está em vias de surgir em Bagdad. Dia a dia, nas margens do Tigre, na "zona verde" onde se encontram os palácios de Saddam Hussei, mais de 900 operários e construtores vindos dos países mais pobres da Ásia ali a constróem. Trata-se da nova embaixada dos EUA, de um bilhão de dólares, ainda que o Congresso não tenha por enquanto "libertado" senão 592 milhões de dólares. É a maior e a mais fortificada do mundo, estende-se sobre mais de 42 hectares na zona onde outrora se encontravam os gabinetes do partido Baath. Para ter uma idéia da sua extensão, a área eqüivale a cerca de 80 estádios de futebol ou seis vezes aquela da sede das Nações Unidas em Nova York. Os trabalhos efetuam-se na maior discrição mas, segundo um relatório da Comissão dos Negócios Estrangeiros do Senado americano, o complexo será composto por 21 edifícios. Dois serão destinados ao embaixador e o seu adjunto, os outros aos escritórios, aos empregados e aos serviços.



Em funcionamento pleno, ali trabalharão 8000 pessoas e ela tornar-se-á o cérebro da administração colonial do Iraque, apenas escondida por trás de figuras locais dos diversos líderes iraquianos ocupados em repartir as migalhas que caem da mesa dos ocupantes. O fato de a nova embaixada encontrar-se praticamente ao lado do palácio de Saddam, que ela ultrapassará em grandeza, majestade e funcionalidade – equivalente nas dimensões a três Millenium Dôme – bem como aos edifícios onde se reúnem o parlamento e o governo iraquianos, é uma mensagem clara para o povo iraquiano, e para o mundo, sobre quem realmente governa o país, e sobre as intenções de Washington de continuar a ocupar o Iraque durante anos. A cidadela imperial será praticamente inatacável da terra e do céu, cercada por um muro com cinco metros de espessura, com seis portas de entradas e saídas ultra-seguras e uma sétima de saídas de emergência (se as coisas correrem verdadeiramente mal) para o aeroporto, e defendida por baterias de mísseis terra-ar e terra-terra e por uma grande caserna de mariners.


O aspecto mais impressionante da nova embaixada é o seu isolamento total do resto da capital iraquiana. Ao contrário dos velhos palácios coloniais britânicos, a cidadela estadunidense será como uma astronave aterrada no centro de Bagdad, completamente auto-suficiente: ela terá seus próprios poços para o abastecimento de água, uma central eléctrica, um sistema de recolha e tratamento de lixo, seu próprio sistema de esgotos, a maior piscina da cidade, restaurantes, snacks, cinemas, ginásios e um sistema de comunicações interno.

Bagdad cai em ruínas, mas nas bases estadunidenses – nesta tal como nas outras 14 disseminadas por todo o Iraque – a vida continua a decorrer nas mil comodidades de uma tranqüila província americana. Uma província governada pela Bíblia e pelo código militar no qual, por exemplo, ao contrário do que se passa nos Estados Unidos, o aborto é estritamente proibido.

Os soldados do império, totalmente ignorantes acerca do lugar onde estarão, verão assim o Iraque apenas através dos visores dos seus tanques e das miras ópticas dos seus fuzis. Um projeto que lembra muito aquele da transformação do exército estadunidense numa espécie de "cavalaria mundial" – elaborado nos documentos do American Enterprise Institute – podendo sair dos seus fortins, atacar as "forças do mal" e retornar a seguir às suas cidadelas fortificadas.


A nova cidade proibida estadunidense, já denominada "o palácio Bush", a "mãe de todas as embaixadas" – a megalomania do projeto fá-lo parecer como os palácios de Saddam – poderia ser definida como a maior estação de combustíveis do mundo, graças à qual os EUA poderão continuar a dilapidar as riquezas do planeta e poluir a terra, o ar e a água. Como isto se passa no Iraque onde, graças aos "acordos desiguais" com o governo fantoche local, eles não só se apropriaram desta vasta zona sem pagar um centavo como impuseram a extra-territorialidade de todas as suas estruturas e a impunidade absoluta para os seus homens.

A nova embaixada, o único projeto de construção imobiliária estadunidense no Iraque que, por enquanto, está dentro dos prazos previsto e das despesas programadas, foi confiado na maior parte a uma empresa kuwaitiana, a First Kuwaiti Trading (dirigida por Wadi al Absi, um cristão maronita libanês) e a seis outras empresas, das quais cinco estadunidenses. A sociedade de Wadi al Abdi, com mais de 7000 empregados no Iraque, foi criticada várias vezes por diversos organismos humanitários, assim como por empreiteiros e responsáveis estadunidenses, pelas muito más condições de vida e de trabalho dos seus empregados, transferidos em massa para a Mesopotâmia a partir dos países mais pobres da Ásia: jornadas de 12 horas de trabalho, ausência de todas as condições de segurança. Verdadeiros escravos utilizados para construir as pirâmides do novo faraó americano. http://resistir.info/iraque/embaixada_eua.html

Um comentário:

Claudia Cardoso disse...

Mário, linquei este teu post no Blogoleone: http://blogoleone.blogspot.com