terça-feira, 16 de outubro de 2012

Com a reeleição, Fortunati vai ampliar o processo de privatização dos espaços públicos?


Após a reeleição do prefeito Fortunati em Porto Alegre (leia AQUI), reabre-se um amplo e profícuo caminho a outras privatizações, que já vem ocorrendo, dos espaços públicos da capital do RS. A grandes corporações, entre elas as transnacionais Coca e Pepsi, de olho na visibilidade da Copa de 2014, seguem "investindo" na cidade.

Espaços tradicionais são entregues em troca de meia dúzia de "melhorias" e, em contra-partida, elas podem explorar estes espaços. No Largo Glênio Peres, por exemplo, tradicionais eventos que ali aconteciam, perderam espaço por determinação da Coca-Cola. Agora, somente os evenotos que a empresa promove e... ponto final.

O poder público se omite da gestão do espaço público que, naturalmente, é de propriedade da população.

O cartunista Kaiser pegou bem a idéia. 

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

E por falar em eleições: Chávez é reeleito na Venezuela.



Com 95,58% dos votos apurados, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, foi reeleito com a preferência de 54,84% dos venezuelanos. Seu principal adversário, Henrique Capriles, tem 44,55% até o momento. O anúncio foi feito pela presidente do CNE (Conselho Nacional Eleitoral), Tibisay Lucena, que também informou que mais de 80% da população compareceu às urnas, mesmo sem a obrigatoriedade do voto no país.

Segundo os dados divulgados pelo órgão, o presidente venezuelano recebeu 7,4 milhões de votos em comparação a 6,1 milhões de Capriles. Apesar da ampla vitória, Chávez já recebeu maior apoio dos eleitores em pleitos passados como, por exemplo, em 2006, quando obteve 62% dos votos frente a 36% de seu opositor, Manuel Rosales.

Leia a matéria completa AQUI

Lula, o cara do Barack Obama, sai da eleições 2012 como maior liderança política do Brasil

: SÃO PAULO, SP - 05.10.2012: ELEIÇÕES 2012/HADDAD/LULA/SP - Fernando Haddad, candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, recebe apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em comício na praça da Sé, centro da capital paulista, no início da tarde desta

O ex presidente do PFL, atual DEM, e ex-senador Jorge Bornhausen (SC) afirmou em público, lá no auge do "mensalão" em 2005: “Vamos acabar com essa raça (o PT).Vamos nos ver livres dessa raça (o PT) por pelo menos 30 anos”, referindo-se aos petistas.

Pois é, ao contrário do que previa Bornhausen, o Patrido dos Trabalhadores segue crescendo em todo o Brasil.

Como já havia dito no post aí em baixo, o pardido não foi só mais votado no Rio Grande do Sul, mas tembém o mais votado em todo o Brasil, com 17,25 milhões contra 16,65 milhões do PMDB, o segundo mais votado. Estes dois partidos representam os maiores partidos da base do Governo Dilma.

E aí está, queiram ou não a elite e os conservadores, uma maiúscula vitória de um grande lider, um operário sem curso superior e que não fala inglês, Luis Inácio Lula da Silva. Ele, mesmo depois de lutar contra um câncer, contra o PIG (Partido da Imprensa Golpista), contra o STF e o "mensalão", encara de frente seus adversários e consegue, na maior cidade do País, colocar no segundo turno, o seu candidato, Fernando Haddad que, em dezembro de 2011, era um completo desconhecido. 

É preciso refrescar a memória (leia AQUI) com outra informação que aponta para Lula como, inconteste, a maior liderança política do País. Quando ele chegou à Presidência da República, em 2002, seu partido tinha cerca de uma centena de prefeituras. Agora, essa base está multiplicada por seis, chegando a perto de 650 cidades administradas pelo partido. O índice pessoal de popularidade do presidente é maior até mesmo que o da presidente Dilma Roussef, uma recordista de aprovações.

Na véspera das eleições de domingo, Lula foi direto ao ponto teclado com insistência por seus críticos, em cima do palanque de Marinho em São Bernardo. "Tem muita gente que a vida inteira torce para o fim do PT e o que vai acontecer é que o PT vai sair mais forte dessas eleições do que entrou, em todas as regiões", disse. "Mas o PT sairá fortalecido aqui no ABC e no Brasil", acrescentou Lula. "Tenho certeza de que será a legenda mais votada no Brasil inteiro, porque é muito boa". Sempre fiel a seu jeitão, ele previu a superação, por Haddad, de sua primeira prova de fogo. "Se tem um candidato que vai para o segundo turno é o Haddad, agora, quem vai com ele eu não sei", afirmou. Errou? Não. Erraram os que duvidaram, com desdém, do grande vitorioso das eleições municipais de 2012: Lula.

O PT nas eleições 2012 em Porto Alegre: Uma derrota anunciada.

Sou militante (e somente um militante) do Partido dos Trabalhadores e não poder decisório. Sempre participo das campanhas eleitorais, mesmo que não ostensivamente, mas faço a minha parte. Mas ao contrário dos úlimos 20 anos, praticamente fiquei de fora da campanha da disputa pela prefeitura da minha querida Porto Alegre neste ano.

Quais as razões?

Não são muitas, mas são o suficiente para determinar de eu somente ficar assistindo o que já estava definido desde o princípio do processo: uma derrota acachapante.

Primeiro a decisão de ir com anditatura própria, defendida pelo Deputado Raul Pont, e aprovada equivocadamente pelo partido, dado as circunstâncias e, depois de aprovada, a indicação do também deputado, Adão Villaverde para a disputa. Villaverde é um grande petista, mas sem carisma e merecia algo melhor e não uma "fuga" da quase totalidade das lideranças partidárias e, é óbio, da militância, envolvida nas atividades nos governos estadual e federal.

Segundo, a falta de um dircurso de oposição contra os adversários, Fortunati e Manuela que, também, fazem parte da base aliada dos governos estadual e federal. A "oposição" do PT nestas eleições se resumiu a alguns pontos... só. Então, com um discurso semelhante dos partidos melhor colocados nas pesquisas, os eleitores pensam, deixa quem já está lá... o Fortunati.

Terceiro, ficou bem claro, a falta de recursos para a campanha do Villaverde que, como se é de esperar, vão em sua totalidade para quem está no poder. A candidatura Fortunati teve muito dinheiro e, muito mais do que isso, a máquina pública, as obras eleitoreiras, os seus militantes em cargos de comissão e a benevolência da mídia. E isso não é choro, é constatação. Eleição é isso mesmo.

Em fim, diminuiu o PT na Câmara de Porto Alegre e diminuiu o próprio partido que governou a capital por 16 anos.

Tenho grandes restrições ao governo Fortunati, principalmente por suas posições e ações na gestão do espaço urbano, com a privatização dos espaços públicos, com a suas ações de desmobilização da participação popular e, principalmente, como ele se auto denominou "Prefeito da Copa", faz de tudo e mais um pouco para que, os grandes, ganhem cada vêz mais.

Por outro lado (leia AQUI), com 1.446.655 votos, o Partido dos Trabalhadores foi o que mais recebeu votos em todo o Rio Grande do Sul nas Eleições 2012. Ainda assim, ficou em terceiro lugar no ranking de prefeituras, com 72 candidatos eleitos. O PT ficou atrás do PP, que, em primeiro no ranking, elegeu 136 prefeitos — e teve um total de 998.359 votos. O PMDB, que somou 1.054.538 votos, ficou na segunda colocação na quantidade de prefeitos eleitos, com 132.

Mas, como diriam, a vida continua e é uma eleição após a outra, umas se ganham, outras se perdem...

Faz parte da democracia.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

A crise do capitalismo: Mais de 500 famílias são despejadas por dia na Espanha

Soraya Urbano Oviedo e os filhos (foto: Liana Aguiar/BBC Brasil))
Após ficar sem-teto, Soraya Urbano (foto) ocupou apartamento com a família; 6 milhões de moradias estariam vazias no país.

Um dos maiores geógrafos da atualidade, David Harvey, recentemente lançou o livro O enígma do capital e as crises do capitalismo, editado no Brasil pela Editora Boitempo (AQUI). Ele nos revala com uma lucidêz que chega a doer, como se dá a acumulação e como as crises sustentam a acumulação e o capitalismo, em detrimento das pessoas e dos estados nacionais.

Em um trexo do seu livro, Harvey diz que “O capital é o sangue que flui através do corpo político de todas as sociedades que chamamos de capitalistas, espalhando-se, às vezes como um filete e outras vezes como uma inundação, em cada canto e recanto do mundo habitado. É graças a esse fluxo que nós, que vivemos no capitalismo, adquirimos nosso pão de cada dia, assim como nossas casas, carros, telefones celulares, camisas, sapatos e todos os outros bens necessários para garantir nossa vida no dia a dia. A riqueza a partir da qual muitos dos serviços que nos apoiam, entretêm, educam, ressuscitam ou purificam são fornecidos é criada por meio desses fluxos. Ao tributar esse fluxo os Estados aumentam seu poder, sua força militar e sua capacidade de assegurar um padrão de vida adequado a seus cidadãos. Se interrompemos, retardamos ou, pior, suspendemos o fluxo, deparamo-nos com uma crise do capitalismo em que o cotidiano não pode mais continuar no estilo a que estamos acostumados.”

Desde 2008, a crise, vêm fazendo com que o modo de vida de milhões de pessoas se transforme radicalmente. A título de  austeridade, para atender o receituário neoliberal do Fundo Monetário Internacional, os estados nacionais, retiram direitos conquistados e já consagrados e interrompem investimentos sociais. Com a falta de recursos, principalmente os mais pobres e/ou vulneráveis cidadãos, veem-se alijados de uma vida que já estavam acostumados a ter.

Desde 2008 na Espanha (leia AQUI), já foram quase 400 mil execuções hipotecárias. Somente no primeiro trimestre deste ano, o Conselho Geral do Poder Judiciário (CGPJ), órgão do governo, registrou 46.559 despejos. Por dia, 517 famílias foram despejadas suas casas por inadimplência.

A Plataforma dos Afetados pela Hipoteca (PAH), entidade criada para chamar atenção para o problema, estima que, neste ritmo, o país terminará 2012 com mais de 180 mil famílias despejadas.

Ada Colau, ativista do direito à moradia e uma das fundadoras da PAH, critica que a legislação ampare as entidades bancárias, mas não os cidadãos que perdem o emprego e não podem pagar o empréstimo.

Ela afirma que, na época do boom imobiliário, o governo "facilitou o crédito de maneira irresponsável" e, agora, anuncia cortes em gastos com educação e saúde, enquanto resgata a entidades bancárias.

Notem que a matéria da BBC, mostra o corte dos fluxos de capital pelos estados nacionais mas, por outro lado, corre para socorrer os capitalistas que, como sempre, vão "faturar" com ou sem crise.

E o pior é que, a crise, está longe de terminar.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Racismo na TV: Sim ou Não? Ou como ridicularizar a mulher negra e pobre.

O ator Rodrigo Sant'anna no papel de Adelaide, do "Zorra Total"

A TV Globo, aos sábados a noite, em horário nobre, leva ao ar um programa "humorístico" completamente sem graça, o Zorra total. Este programa, nada mais faz do que axincalhar personalidades e, também, as pessoas do povo. Como seu diretor mais poderoso, Ali Kamel, que já escreveu um dia o livro intitulado “Não somos racistas – Uma reação aos que querem nos transformar em uma nação bicolor” (leia AQUI), não vê problema algum na criação de estereótipos ridicularizando o negro(a), sempre como sendo pobre, feio e ignorante e, neste caso, mulher.

Pois a personagem Adelaide (leia AQUI) , interpretada pelo ator Rodrigo Sant'Anna no programa da Rede Globo, é uma mulher negra e pobre, que circula pelo corredor do metrô com seu "tablet", pedindo "50 centarru, 25 centarru, dez centarru" aos passageiros, vem causando forte reação da sociedade. Para viver a personagem, cujo bordão é "a cara da riqueza", o humorista escurece a pele com maquiagem. Ele também usa um nariz falso e uma prótese na boca sem os dentes da frente.

ONGs e espectadores denunciaram o programa à Ouvidoria Nacional da Igualdade Racial, da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República, alegando que o personagem apresenta "estereótipos racistas". As acusações foram levadas à 19ª Promotoria de Investigação Penal, do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, que está investigando o caso.

A mobilização, que começou de forma dispersa na internet, ganhou força depois que Humberto Adami, diretor do Iara (Instituto de Advocacia Racial e Ambiental, o mesmo que propôs ações contra a adoção de "Caçadas de Pedrinho" e "Negrinha", de Monteiro Lobato, em que supostamente havia racismo), levantou a questão em seu blog. "A quem o personagem faz rir? Àqueles que não se comovem com o sofrimento e a luta das mulheres negras brasileiras. E que ainda lhe imputam a responsabilidade pela situação de descuido", questionou o advogado em post publicado no fim de julho.

Pois então eu pergunto, isso é ou não é racismo na TV?

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Desemprego na zona do euro atinge recorde em agosto: E ainda não chegamos ao fundo do poço

Tenho falado seguidamente sobre a crise do capitalismo globalizado e suas consequências na vida das pessoas, na nossa vida. Vivemos em uma crescente onda de efeiros devastadores desta crise, que teve seu início em 2008, com a falência do banco de investimentos Lehman Brothers Holdings Inc.

A conhecida Crise dos Subprimes levou consigo muita gente e, também, os ideais do neoliberalismo, iniciados lá nos anos 1980, na Inglaterra, pela então ministra Margaret Thatcher e que retirou dos trabalhadores suas conquistas históricas, com as privatizações e a flexibilização das relações de trabalho.

De 2008 até hoje, a crise somente se fez agravar. Muitos outros bancos, firmas, corporações e, em última instância, estados nacionais, ao fundo do poço. A crise atinge em cheio a Zona do Euro. Países de "primeiro mundo" hoje vivem afundados do desemprego e na desesperança.

A crise, assim, parece que está longe de um final, pois em matéria divilgada AQUI, AQUI e AQUI, número de pessoas sem emprego na zona do euro totalizou 18,196 milhões em agosto, o equivalente a um aumento de 34 mil em relação a julho, segundo a Agência de Estatísticas da União Europeia (Eurostat). O número marcou o nível mais alto de desempregados, desde que os dados começaram a ser contabilizados em janeiro de 1995. A leitura deixa a taxa de desemprego na região em 11,4%, inalterada em relação ao mês anterior. O número de desempregados ficou em linha com as previsões dos analistas entrevistados pela Dow Jones. Na Espanha, a taxa de desemprego chaga a 25%, levando a população às ruas em intermináveis protestos.

Mas ainda não chegamos ao fundo do poço. Toda a ganância e irresponsabilidade dos senhores do mercado, somente agrava a situação das pessoas que, vêem sua vida se desmoronar diante da crise.

Mas uma coisa podemos dizer: os ricos, contunuam ricos...

Os pobres... cada vêz mais pobres...