sexta-feira, 12 de julho de 2013

Globo versus Receita: um escândalo dentro do escândalo


Existe um escândalo dentro escândalo do caso Globo versus Receita Federal.

É a omissão da mídia, dos políticos e do governo. Todos estão se fazendo de mortos, numa cumplicidade mórbida, como se não estivesse ocorrendo nada.

A tarefa de lutar por um Brasil melhor, neste caso, está limitada, até aqui, a esforços épicos de blogues independentes.

Os fatos são espetaculares.

Vejamos.

A Receita, como primeiro noticiou o blog O Cafezinho, flagrou a Globo numa trapaça fiscal. Documentos vazados por uma fonte da Receita mostram que a Globo tratou a compra dos direitos da Copa de 2002 como se fosse um investimento no exterior para fugir aos impostos brasileiros.

Isso se chama sonegação. E sonegação é corrupção.

A empresa se utilizou, na manobra, de um paraíso fiscal, recurso predileto de sonegadores no mundo todo. Não à toa, os governos dos países adiantados decidiram impor um cerco terminal aos paraísos fiscais, porque o dinheiro sonegado destrói a saúde dos cofres públicos e impõe uma injustiça monstruosa à sociedade.

Em dinheiro de 2006, a Globo devia 615 milhões de reais à Receita. Isso são seis vezes o que a Globo definiu como o maior caso de corrupção da história do Brasil, o Mensalão.

Pressionada, a Globo, depois de tergiversar, admitiu que tivera sim problemas com a Receita. Mas jamais mostrou o darf, o recibo, para comprovar que acertara as contas.

Se o enredo já não fosse sensacional, entrou depois em cena a notícia – confirmada – de que uma funcionária da Receita tentara fazer desaparecer a documentação do caso.

Uma história fiscal passou a ser policial também.

A funcionária escapou da prisão graças a um habeas corpus de Gilmar Mendes. Para quem ela trabalhara? Teoricamente, basta buscar na lista dos beneficiários de um eventual sumiço.

Não são tantos assim.

Estranhamente, ou não estranhamente, pensando bem, a mídia corporativa – que tem exércitos de repórteres – não fez o menor esforço para encontrar funcionária e tentar esclarecer um caso de dimensões extraordinárias.

Isso atesta a miséria do jornalismo investigativo nacional.

Cenas bizarras vão aparecendo: um advogado da Globo disse não se recordar do caso, como se estivesse falando da conta de um restaurante.

Um repórter do UOL entrou no caso, provavelmente sem conhecimento dos donos, extraiu da Globo a admissão da multa e sumiu exatamente no momento em que conseguira mostrar que tinha uma grande história.

O UOL – da Folha, sócia da Globo no jornal Valor – não deu mais nada. O mesmo comportamento teve seu irmão, a Folha, que estampa na primeira página a informação de que é um jornal a serviço do Brasil.

Sim, a serviço do Brasil – mas desde que isso não signifique investigar a Globo.

Fora todos os fatos comprovados, há especulações eletrizantes.

Exemplo: a justiça suíça, ao denunciar no ano passado a rede de propinas comandada por João Havelange e Ricardo Teixeira, denunciou a propina milionária paga num paraíso fiscal para Havelange para que garantisse a uma emissora de televisão que a Fifa venderia a ela, e não à concorrência, os direitos da Copa de 2002.

Quanto a Globo ganha com futebol é uma enormidade: em 2012, foram vendidas seis cotas a patrocinadores por 174 milhões cada. Isso dá mais de 1 bilhão de reais.

O tamanho do negócio do futebol justificaria qualquer coisa?

Esta é uma das questões que deveriam estar sendo discutidas publicamente, num regime de transparência urgente, dado o torrencial interesse público do caso.

Mas não.

Há um silêncio abjeto que paira sobre este escândalo – exceto pela luta heroica e solitária dos bravos Davis da internet contra o Golias e seus amigos, ou cúmplices, se você quiser.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Com renúncia de 15 milhões de Reais por ano do ISSQN, vereadores diminuem R$ 0,05 na passagem de ônibus de Porto Alegre: Será uma vitória?


Sempre achei que o transporte público de Porto Alegre é caro e que deixa muito a desejar em qualidade.

Estão certos os manifestos contra o aumento da passagem e pela qualificação do serviço prestado pelas empresas concessionárias de Porto Alegre que, para reduzir custos (e aumentar seus lucros), diminuem horários e demoram na renovação de suas frotas.

Então, foi uma vitória do momivento que não deixou aumentar a passagem dos atuais R$ 2,85 para R$ 3,05.

Mas é preciso entender que, esta vitória, terá reflexos em outras áreas e, até mesmo no próprio transporte público.  Como se sabe, no mundo capitalista em que vivemos, o que move o mercado, é o LUCRO e, como se diz, "não existe almoço de graça"... assim sendo, para manter o lucro dos empresários, alguém vai pagar.

E advinhem quem vai pagar?

O POVO.

Sim, pois como não haverá a diminuição dos lucros das empresas, o Município, o Estado e a União é que irão arcar com este custo.

E, como sabemos, é o POVO que, com os impostos sustenta tudo. E como se sabe também, serão os mais pobres que pagarão mais.

Quer dizer: UMA VITÓRIA DE PIRRO (leia AQUI)

E agora, numa atitude quase que irresponsável, para salvar a sua pele (prefeito e vereadoes de Porto Alegre) aprovaram (leia AQUI) mais uma redução, de R$ 0,05 na passagem de ônibus de Porto Alegre, que representa uma renúncia de QUINZE MILHÕES DE REAIS POR ANO aos cofres da município.

Como dinheiro não nasce em árvores, estes valores sairão de outros setores mantidos pela prefeitura, podendo ser da Saúde, da Educação, da Segurança, etc... Não importa, pois o que importa é manter o luco dos empresários.

O que realmente deveria ter sido feito, tanto o prefeito como os vereadores, eles não têm coragem e nem querem fazer:

Abrir a planilha de custos e reduzrir o lucro dos empresários para reduzir o valor das passagens.

Quer dizer então que, a vitória (?) dos manifestantes será paga por eles mesmos e pelo povo, o povo pobre. Pois que pode mais, anda de carro.

É isso! 

terça-feira, 25 de junho de 2013

Massa nas ruas, despolitizada, pode servir a interesses alheios

Pelo quê protestamos

Analistas ouvidos pela Rede Brasil Atual (leia AQUI) interpretam as manifestações que tomaram as ruas das principais cidades do país na semana passada como uma “explosão” de insatisfações cultivadas há anos pelos brasileiros, que, no entanto, está marcada por um nível reduzido de elaboração política. “Quem esteve nos protestos ficou impressionado com a despolitização das pessoas”, avalia o arquiteto Chico Whitaker, membro da Comissão Brasileira de Justiça e Paz e conselho internacional do Fórum Social Mundial. “Não sabiam ao certo porquê estavam brigando. Mesmo assim, levantavam as bandeiras que estavam sendo levantadas.”

Whitaker cita a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 37 como um dos maiores exemplos de que grande parte dos manifestantes não tinham clareza sobre suas reivindicações. Presente nas manifestações que na última quinta-feira (20) tomaram a Avenida Paulista, em São Paulo, para comemorar a redução da tarifa de transporte público, a RBA entrevistou ao menos três pessoas que traziam cartazes contra a PEC 37, mas admitiram não saber exatamente do que se tratava a medida. “A mídia amplifica essas pautas, fala que é contra a impunidade e a corrupção, e as pessoas vão em frente. Para esse caldo de cultura que está aí, é uma maravilha.”

A jornada de protestos chamou a atenção pela brusca mudança na pauta de reivindicações apresentadas pelos manifestantes. No começo da mobilização, poucas pessoas compareciam às marchas, mas tinham uma demanda única e específica: a redução imediata do preço da passagem de ônibus, trem e metrô. Após a massificação dos protestos, porém, gritos e cartazes se multiplicaram. A partir da insígnia “Não é só por 20 centavos”, as pessoas passaram a exigir melhorias nos serviços de saúde e educação, fim da corrupção e menor carga de impostos, além de denunciar os “elevados” gastos públicos para a realização da Copa do Mundo de 2014. No último dia de manifestações, até mesmo o impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT) ganhou adeptos.

“A mobilização social é como uma Caixa de Pandora: você não tem o controle sobre a situação”, analisa Maria Aparecida de Aquino, professora de História Contemporânea da Universidade de São Paulo. “Uma coisa é dizer que existe um determinado objetivo, que é o objetivo inicial, e outra coisa é chamar as pessoas à participação e de repente observar que essas pessoas não são originalmente aquelas que comungam dos seus meus ideais.” Para Aquino, essa pluralidade não deveria ser uma surpresa: é fruto direto da maneira utilizada pelos organizadores da mobilização para convocar os protestos. "A internet é uma via extremamente poderosa para convocar as pessoas, e atinge a todos indiscriminadamente”, pontua. “Você pode ter uma determinada reivindicação, mas, a partir do momento em que as pessoas vão às ruas, seu controle sobre elas é muito restrito.”

Apesar de considerar as bandeiras de saúde, educação e corrupção como reivindicações “legítimas” que refletem “necessidades históricas do povo brasileiro”, a historiadora da USP desconfia do nível de politização da maioria dos manifestantes. “Eles não possuem uma conscientização política claramente estabelecida”, diz. “Atenderam a um chamado, um desejo, que é quase que intestino.” Aquino faz uma diferença entre a consciência política e aquilo que se denomina consciência da fome – que promove respostas diretas. “O tipo de resposta apresentada pelo movimento é imediata: estamos cansados da bandalheira, estamos cansados de não ter condições de vida adequadas, de vivermos com transporte péssimo, educação de baixa qualidade, corrupção.”

Daí a dificuldade – retoma Whitaker – de compreender o verdadeiro sentido do verde-amarelo com que se vestiu a maioria dos manifestantes. “O verde-amarelo, para a massa despolitizada, representa a pátria. Pode ser um acúmulo de memórias do verde-amarelo do impeachment do ex-presidente Fernando Collor, mas também é o verde-amarelo dos militares”, questiona. “As cores da bandeira têm sido utilizadas para separar quem é a favor do Brasil e contra o Brasil.” Por isso, o arquiteto teme que essa nova coletividade possa ser utilizada em prol de objetivos amplificados pelos meios de comunicação. “É uma turma pronta para engrossar fileiras contrárias ao PT, por exemplo. O PT é o diabo para muita gente. A mídia pode levantar essa questão e automaticamente os caras se aproveitam.”



sexta-feira, 21 de junho de 2013

Vídeo do You Tube sobre a política dos protestos

Este vídeo é simples mas bem didático para entender o que se passa neste importante momento da política brasileira:

www.youtube.com/watch?v=UiVDtWb7K48

Quem é liderado per esta máscara, não sabe onde pode parar a democracia.



Hoje ao meio-dia, fui em casa almoçar, coisa que dificilmente eu faço e vi, num mixto de espanto e tristeza, os acontecimentos da noite anterior aqui em Porto Alegre e em outras cidades do Brasil.

Não sou e nunca fui contrário a qualquer tipo de manifestação ou protesto (justo) e, também, entendo que um protesto "pacífico", não existe. Pois se não houver pressão, não se chega aos objetivos pretendidos.

Mas o que eu ví, não é protesto... é vandalismo puro, perpretado por pessoas que se aproveitam do momento para destruir e roubar. Por outro lado, nas falas de muitos presentes as manifestações, parecem completamentes deslocados da realidade, com motivos difusos, que vão desde a contrariedade da votação da "cura gay" na Câmara Federal, quanto aos gastos com a Copa.  

Outra coisa que eu penso é que, num protesto, quem está protestando, legitimamente, não precisa esconder-se atrás de máscaras, como esta aí do alto.

Que "partido" está por trás desssa máscara?

Quem se escode, não tem boas intenções. O que não é o caso do Movimento Passe Livre - MPL, que mostra a cara e, com uma luta democrática na rua, conseguiu a diminuição do preço das passagens dos transportes urbanos em diversas cidades brasileiras.

Na Internet e nas redes sociais, uma avalanche que posições que, muitas vêzes, sem sentido e desprovidads de fundamento até, contra a democracia e as instituições democráticas. 

Os jovens, principalmente, não sabem. Mas por algo semelhante já aconteceu no Brasil, que com este tipo de manifestação, mergulhou na Ditadura Militar por 25 anos, onde pessoas foram torturadas, desaparecidas, mortas ou presas sem acusação sequer de qualquer crime que seja.

É isso que queremos?

Mas saibam que existem muitos poderosos que estão a espreita para desferir novamente o Golpe... Cuidado!

Eu não quero isso de volta, eu quero um Brasil cidadão. Mas para isso, precisamos sim de saúde, educação, e não de violência nas ruas.  

Plim-Plim, o Golpe será televisionado?



Assim como aconteceu no Golpe Militar de 1964 (leia AQUI), a Rede Globo está novamente por trás das manifestações e do Golpe que se engendra contra o governo e contra a democracia brasileira.

O que foi uma manifestação contra o aumento das tarifas de ônobus, legítima e que foi atendida pelos governos, hoje se transformou em uma "marcha" contra a democracia (se dizem apolíticos), tal qual ocorreu a quase 50 anos atrás. Naquele momento, a Marcha pela família com Deus pela liberdade (leia AQUI)como foi e os motivos) foi o estopim que levou o Brasil a Ditadura Militar que durou 25 anos no País.

Com o Golpe Militar de 64 consumado, o Jornal o Globo, em editorial no dia 2 de abril de 1964, exaltou a "volta da democracia", vejam uma parte do texto (leia na íntegra AQUI):

Capa do jornal O Globo, celebrando o "ressurgimento da democracia", um dia após o Golpe Militar.

"Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente de vinculações políticas, simpatias ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem. Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas, que obedientes a seus chefes demonstraram a falta de visão dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil livrou-se do Governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições.

Como dizíamos, no editorial de anteontem, a legalidade não poderia ser a garantia da subversão, a escora dos agitadores, o anteparo da desordem. Em nome da legalidade, não seria legítimo admitir o assassínio das instituições, como se vinha fazendo, diante da Nação horrorizada."


É isso mesmo, não se enganem, ontem a Globo já derrubou um... um não, dois governos (Collor de Melo) e, agora, a sua grade de programação, inclusive deixando de transmitir um jogo da Copa das Confederações, para, do alto dos seus helicópteros, levar ao ar, de longe, mais outro Golpe.

E isso tudo, usando o espectro eletromagnético brasileiro, que é do Povo, uma concessão de Estado.

Na Venezuela, a midia, por 48 horas, derrubou o seu presidente legitimamente eleito e, ainda por cima, televisionado: Veja aqui o vídeo A revolução não será televisionada

A democracia está ameaçada, espero que o povo e os "manifestantes" saibam das consequências de um Golpe contra as instituições brasileiras.

Este filme já passou antes...

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Emissão de gases-estufa no Brasil cai 38,4% em cinco anos

Puxado pela queda significativa no desmatamento na região amazônica (leia AQUI), o Brasil conseguiu reduzir em 38,4% a emissão de gases do efeito estufa entre 2005 e 2010, segundo estimativa divulgada nesta quarta-feira (5) pelo governo federal.

Os números são imprecisos, pela dificuldade natural de medição, em escala nacional, da quantidade de gases emitidos por indústrias e pelo setor agropecuário, por exemplo.

Por isso, oficialmente o governo nem chama os dados de "índice", mas de "estimativa". A margem de erro pode chegar a 15%, dependendo do tipo de fonte emissora dos gases do efeito estufa.

Os últimos dados do tipo, divulgados pelo governo, eram de 2005. Em 2009, o Brasil assumiu o compromisso voluntário de reduzir, até 2020, em até 38,9% o projetado para aquele ano em relação à emissão de gases causadores do efeito estufa.

Parece que, mesmo com as incertezas dos dados, o Brasil está fazendo sua parte para diminuir as emissões dos gases do Efeito Estufa e combater o Aquecimento Global. Mas mesmo assim, de nada adianta, pois nosso modelo de desenvolvimento é centrado no consumo e na obsolecência do que é produzido para gerar o lucro.

Mas já é alguma coisa...